Comerciantes estabelecidos no entorno da Ford temem por futuro
O fechamento da fábrica preocupa centenas de famílias que vivem dos negócios gerados pela atividade da Ford no bairro do Taboão, em SBC
Cidades|Cesar Sacheto, do R7

O fechamento da fábrica da Ford, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, anunciada na última terça-feira, deverá afetar a vida de dezenas de famílias que há anos se fixaram no bairro Taboão em razão da instalação da empresa na região.
Donos de restaurantes, padarias e lojas relataram ao R7 que os negócios sofreram uma queda acentuada nos últimos dois anos e que o enfraquecimento da atividade comercial está diretamente ligado à crise da montadora.
Pegos de surpresa com a notícia do fechamento, alguns comerciantes temem pelo futuro, como Zenir Camargo, de 43 anos, que investiu as economias da família na abertura de uma padaria a poucos metros da empresa.
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"Servimos café da manhã, almoço e jantares. Hoje, cerca de 40% do meu faturamento está em cima dos funcionários da Ford. Tem seis meses que eu e o meu marido compramos a padaria. A gente tinha um dinheirinho e investimos tudo aqui. Isso nos preocupa muito", revela Zenir.
A saída da empresa também poderá impactar no destino dos 12 funcionários da padaria. "Com essas noticias, vamos ter que rever tudo. Não sei se vou manter todos", lamentou a empresária.
A apreensão no semblante dos comerciantes da região é visível. Empregado em uma loja de acessórios para carros, Antônio Cavalcanti, de 35 anos, também se mostrou aflito pelo fechamento da fábrica. O funcionário contou que já ouvia boatos sobre a saída da Ford e calcula que a movimentação de clientes já caiu aproximadamente 20% nos últimos dois anos.
"A tendência é cair mais. Tem muita loja fechando. Não tem como manter aberta. A rua é bem movimentada, mas a maioria [de clientes] era da Ford. Hoje em dia, quase não vem ninguém aqui", avaliou Cavalcanti.
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Maria José da Silva que mantém, em parceria com o marido, um ex-caminhoneiro, uma barraca de lanches a poucos metros do portão por onde passa grande parte dos cerca de três mil funcionários da montadora, não conteve o desânimo.

"A gente ouvia dizer que estava devagar, mas foi um impacto muito grande. Trabalho aqui há 15 anos. Sustentamos a nossa família. Se a Ford fechar, a gente tem que baixar as portas também. Dependemos da Ford 100%. Se fechar, acabou", projetou Maria José.
Dono de um restaurante na Avenida do Taboão, a principal via de acesso da região, Robson Luís de França, de 36 anos, também luta para manter o negócio aberto há duas décadas no bairro.
"Vendia 200 refeições por dia. Já baixou para 60 [refeições] e vai cair mais ainda. Chegamos a sete funcionários e hoje temos apenas dois", destacou o comerciante, que prevê uma crise ainda maior depois que a montadora fechar as portas da fábrica. "Vai ser um efeito dominó", disse.
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Funcionários apreensivos
A decisão da Ford de fechar a fábrica de São Bernardo do Campo foi comunicada aos funcionários nesta semana. O sindicato da categoria optou por iniciar uma greve e ainda negocia com a diretoria uma saída para os trabalhadores.

"Pegaram a gente de surpresa, às 15h30 de ontem (terça-feira). Está todo mundo preocupado. A gente tem contas para pagar, uma porção de planos e sonhos. Mas estamos levando na medida do possível e esperando para ver no que vai dar", contou Victor Carlos Cardoso, de 34 anos, que há nove trabalha como polidor na Ford.
Luciano da Silva, de 30 anos, que trabalha no mesmo setor do amigo Victor, também não escondeu a decepção. "É triste. a gente luta por anos e anos, querendo ter um futuro aqui dentro. Essa notícia nos deixou sem chão", lamentou.
















