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Construtora diz que identificou rachaduras e pediu interdição de ponte no AC antes de queda

Governo considerou que a erosão nas margens de rios poderia ter impactado a estrutura

Cidades|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A construtora Cidades identificou instabilidade no solo e rachaduras na ponte Frei Paolino Baldassari, recomendando sua interdição um dia antes do desabamento.
  • O governo do Acre responsabiliza a empresa pela queda, alegando que a ponte ainda estava dentro do período de garantia.
  • A Procuradoria-Geral do Estado planeja ações legais para obrigar a construtora a reconstruir a ponte ou oferecer solução alternativa de travessia.
  • O governo afirma que a empresa era responsável por todas as decisões técnicas do projeto, sem envolvimento do DER-AC ou do governo estadual na execução.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Desabamento de ponte recém-inaugurada deixa quatro pessoas feridas no Acre
Equipes técnicas constataram rachaduras e desníveis em diferentes pontos Reprodução/RECORD

A construtora Cidades, responsável pela ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou no Acre na última sexta-feira (5), disse, em nota, que havia identificado instabilidade no solo e recomendado a interdição da estrutura um dia antes do desabamento.

Segundo o texto, além da erosão do solo, equipes técnicas constataram rachaduras e desníveis em diferentes pontos do entorno.


“Os levantamentos preliminares realizados em campo identificaram movimentações significativas de solo em uma área muito mais ampla do que a própria ponte, abrangendo aproximadamente 16 mil metros quadrados e alcançando também áreas adjacentes do bairro localizado nas proximidades”, afirma a empresa.

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A empresa alega ainda que encaminhou ao DER-AC (Departamento de Estradas de Rodagens do Acre), na quinta-feira (4), “por volta das 13h (horário do Acre), recomendação formal para a interdição total da ponte, inclusive para o trânsito de pedestres, diante do risco identificado por suas equipes”.


Ainda segundo a nota, as avaliações preliminares apontaram “indícios compatíveis com processo de instabilidade geotécnica conhecido como fenômeno de terras caídas, caracterizado por movimentações de grandes massas de solo associadas a processos erosivos e às variações naturais dos níveis dos rios.”

No sábado (6), o governo considerou que a erosão nas margens de rios poderia ter impactado a estrutura — mas apontou que a empresa tem “vasta experiência em construção de pontes na região amazônica, sendo, portanto, esperado que seus projetos contemplem soluções para o fenômeno das terras caídas para garantia da segurança da obra”.


Segundo a administração estadual, trata-se de um fenômeno comum a rios jovens em formação, como o rio Iaco, que tem cheias com alta densidade e seca severa.

Período de garantia

A governadora do Acre disse que a empresa será responsabilizada. De acordo com Mailza Assis (PP), a ponte ainda estava “dentro do período de garantia”. A obra, que custou R$ 36 milhões, foi inaugurada em março de 2024, na gestão do antecessor, Gladson Cameli (PP).


A construção foi supervisionada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre e executada em menos de dois anos pela Construtora Cidade.

Em comunicado, o governo acreano citou que o Código Civil define que empreiteiras são responsáveis pela solidez e segurança de obras por um prazo de cinco anos.

Diante disso, informou que a Procuradoria-Geral do Estado vai pedir tutela antecipada para obrigar a empresa a reconstruir a ponte ou oferecer uma solução de travessia para o rio Iaco — sobre o qual a estrutura que desabou passava.

A Procuradoria afirmou ainda que estuda pedir bloqueio cautelar de bens da empresa, no valor integral do contrato de construção. Outra medida será exigir que a construtora garanta assistência aos quatro feridos — um deles está em estado gravíssimo. A governadora disse que não há prazo definido para a reconstrução.

“A empresa já disponibilizou engenheiros para avaliar a estrutura, e todas as providências estão sendo tomadas para que os prejuízos não recaiam sobre a população”, disse Mailza, de acordo com comunicado do governo estadual.

O governo acreano afirmou que a obra foi contratada em modalidade integrada. “Nessa modalidade, a empresa Construtora Cidade assumiu integralmente a responsabilidade pelo projeto básico, projeto executivo e execução da obra, sendo a única responsável pelas decisões técnicas que determinaram a concepção e a construção do equipamento”, comunicou.

O governo estadual acrescentou que “o projeto técnico, assim como todas as análises que envolvem a construção, ficou por conta da empresa, sem participação do DER-AC ou do governo do Estado na concepção e execução do projeto”.

Vale contrastar que, na época em que a obra foi entregue, em dezembro de 2023, um comunicado do governo do Estado destacou a participação de servidores estaduais na celeridade da construção.

“Trabalhamos desde o começo para atuar na construção no inverno e verão. Nos antecipamos às enchentes e agora conseguimos entregar a ponte para a população”, disse no comunicado de 2023 a engenheira responsável pela obra, Thalia Kamila Gomes, do DER-AC.

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