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Crise climática: de norte a sul, desastres naturais devem se tornar mais frequentes

Especialistas analisam quais fenômenos podem afetar cada região do país e como amenizar as consequências econômicas e sociais das mudanças climáticas

Cidades|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A crise climática no Brasil está intensificando desastres naturais, como tornados e secas extremas.
  • Estudos indicam que cada aumento de 0,1°C na temperatura global gera 360 novos desastres climáticos por ano no país.
  • A combinação de chuvas intensas no Sul e secas no Nordeste compromete a segurança hídrica e a agricultura.
  • Especialistas sugerem soluções como a restauração de ecossistemas e criação de fundos para minimizar os impactos sociais e econômicos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Na última sexta-feira (7), o Brasil acompanhou diversos municípios do Paraná serem devastados por um tornado, que deixou seis mortos. Em Santa Catarina, três ciclones também causaram danos em residências e deixaram feridos, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo seguem em alerta para tempestades. Por outro lado, na outra extremidade do território nacional, o Nordeste registrou, em setembro, uma seca extrema, a pior desde fevereiro de 2019.

Os recentes fenômenos naturais seguem uma crescente no Brasil. De 1991 a 2023, cada aumento de 0,1 °C na temperatura média global do ar provocou 360 novos registros de desastres climáticos no país. Entre eles, estão secas severas, enchentes e tempestades. Nesse período, houve um crescimento médio de cem novas ocorrências extremas por ano no território, segundo o estudo “2024 – O Ano Mais Quente da História”, da Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica.

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Para cada região, um perigo

Professora do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília, Mercedes Bustamante afirma que as mudanças climáticas já são uma realidade no Brasil e se manifestam com impactos distintos em cada área geográfica.

“Para o Norte, são mais previstas secas prolongadas e intensas, com o aumento de incêndios florestais e o risco de atingir o ponto de não retorno na floresta Amazônica. Essas secas também são esperadas para o Nordeste e Centro-Oeste. Nas áreas Sudeste e Sul, as previsões apontam precipitações mais intensas, com graves consequências nas áreas urbanas”, detalha a pesquisadora.

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De acordo com Bustamante, enquanto no sul do país o volume anual de chuva aumenta em até 30%, o Nordeste e o Brasil Central enfrentam uma diminuição de 40% nas precipitações. A especialista explica que essas mudanças drásticas, quando combinadas com o aumento de temperaturas, afetam a segurança hídrica nacional.

“No Nordeste e no Centro-Oeste, a redução de chuvas compromete o abastecimento de água para consumo humano, a agricultura e a geração de energia”, observa. “Já o aumento do volume e da intensidade das precipitações no Sul e Sudeste sobrecarrega os sistemas de drenagem e causa inundações catastróficas, como as que atingiram o Rio Grande do Sul. Essas ocorrências não apenas causam mortes e desabrigados, mas também contaminam as fontes de água, agravando a crise hídrica”, afirma.

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Consequências econômicas e sociais

Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, alerta para as consequências desses perigos, que não são apenas diretas, com a população desabrigada ou ferida, mas econômicas e sociais.

“Há segmentos da sociedade que são extremamente sensíveis e precisam de um cuidado muito grande com relação a esse tempo extremo, como a agropecuária. Nós temos um baixíssimo nível de agricultura irrigada, por exemplo, então é crucial que a chuva caia no volume certo, na hora certa, no lugar adequado”, analisa Astrini.

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Ele aponta também a insegurança da geração de eletricidade com os crescentes episódios climáticos. “Temos mais de 80% da eletricidade dos brasileiros gerada por usinas hidrelétricas. Tais usinas precisam do abastecimento hídrico na medida correta e no período correto também. Então, qualquer interferência na regularidade do tempo afeta ramos como esses dois de forma muito importante”, explica.

Estratégias de redução de danos

Para o especialista, a desigualdade social no país é um agravante em todo o processo relacionado ao clima. “Temos em algumas cidades, inclusive em capitais, uma falta de saneamento que é, infelizmente, muito real e gigantesca, o que faz com que muitas pessoas construam suas moradias em áreas de extremo risco de deslizamento de terra ou de inundação”, frisa.

Segundo Astrini, a saída é a criação de fundos destinados à população em áreas sujeitas a desastres e à recuperação de espaços que possam diminuir o risco de enchentes e deslizamentos. “Há muita engenharia humana para ser aplicada para evitar desastres”, destaca.

Já Bustamante aponta para a eficácia das Soluções Baseadas na Natureza (SbN), como a restauração de ecossistemas (manguezais, restingas e matas ciliares) para conter as fortes precipitações e proteger o litoral da erosão.

“Essas iniciativas podem ser a ampliação da arborização, criação de parques lineares e uso de telhados verdes, por exemplo, que ajudam a absorver a água da chuva, reduzir ilhas de calor e melhorar a qualidade do ar em áreas urbanas”, exemplifica.

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