Diário Digital Na Capital, biotecnologia é aposta para fazer água de esgoto retornar limpa aos rios

Na Capital, biotecnologia é aposta para fazer água de esgoto retornar limpa aos rios

A água retirada do esgoto ficou verdinha. Ela foi colorida pelas microalgas que vão limpá-la até que esteja pura o suficiente para retornar aos rios. As mesmas microalgas serão usadas para produção de bionergia e fertilizantes. Esse inovador processo biotecnológico está sendo desenvolvido em Campo Grande (MS). À frente do projeto está o professor Marc […] O post Na Capital, biotecnologia é aposta para fazer água de esgoto retornar limpa aos rios apareceu primeiro em Diário Digital.

A água retirada do esgoto ficou verdinha. Ela foi colorida pelas microalgas que vão limpá-la até que esteja pura o suficiente para retornar aos rios. As mesmas microalgas serão usadas para produção de bionergia e fertilizantes.

Esse inovador processo biotecnológico está sendo desenvolvido em Campo Grande (MS). À frente do projeto está o professor Marc Árpád Boncz, da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia (Faeng), da Universidade Federal.

Nome e sobrenome entregam a origem estrangeira de Marc Árpád Boncz, que é holandês e vive em MS desde 2003. O projeto com microalgas é para ele mais do que um experimento científico e sim uma causa de vida.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Fazenda-Escola abriu as portas para projeto que usa o esgoto pré-tratato no experimento (Foto: Luiz Alberto)

Engenheiro ambiental, Marc sempre se dedicou a pesquisas relacionadas à água e esgoto. Na visão dele, tratar a água e investir em sustentabilidade são ações urgentes em qualquer lugar do mundo.

"O esgoto no Brasil ainda é tratado de forma insuficiente. O solo está relativamente pobre (...), o que faz o Brasil comprar milhões de toneladas de fertilizante cada ano, que no final das contas acabam nos oceanos", resume para explicar o quanto é preciso agir em várias frentes e depressa.

Sua pesquisa multifacetada intitulada “Tratamento terciário de esgoto com microalgas: teste piloto de um processo único para recuperar nutrientes, remover patógenos e fármacos e purificar o biogás” já está na fase prática.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Três reatores com capacidade de 120 litros de conteúdo cada estão instalados na fazenda-escola (Foto: Luiz Alberto)

Conforme o estudo, o uso das microalgas é uma biotecnologia muito propícia para estações de esgoto, onde há fartura de CO2 e nutrientes, como potássio, nitrogênio e fósforo, exatamente o que estes organismos precisam para se alimentarem e se desenvolverem.

O projeto embrionário está montado na Fazenda-Escola UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) , na saída para Rochedinho. Em campo aberto, o professor Marc e sua equipe de doutorandos montaram três tanques que recebem água do esgoto pré-tratado da fazenda-escola.

"Escolhemos a UCDB porque é um dos poucos locais que ainda trata o próprio esgoto. Então como precisávamos do líquido na fase pré-tratada fizemos um convênio e estamos tocando a pesquisa", relata.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Tratar a água e descobrir maneiras de produzir energia sustentável são causas para o professor (Foto: Luiz Alberto)

Parte dos equipamentos foi comprada com recursos próprios pelo professor Marc. Somente há poucas semanas, o projeto foi contemplado com recursos da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia, Fundect.

Os tanques estão cheios de água misturada às microalgas -sendo a maioria da espécie Clorella- que deixa o líquido na cor verde escuro. Com isso, uma das fases mais importantes do estudo já está em andamento.

A eficiência das microalgas para limpar a água já é conhecida entre os estudiosos. Porém, agora será possível entendê-las nos seus detalhes e tempo de serviço.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Um dos tanques têm mais profundidade, o que permitirá avaliar a influência da luz no tratamento (Foto: Luiz Alberto)

A pesquisa mostrará quais condições são mais apropriadas para extrair o melhor do potencial de limpeza das microalgas. Um dos tanques, por exemplo, tem mais profundidade e, com isso, recebe menos luz que os demais. Uma situação que será comparada.

A tecnologia é uma aliada do trabalho da equipe. O experimento tem vários sensores que monitoram a quantidade de água nos tanques e baldes: a turbidez, pureza do líquido, pH, oxigenação entre outros aspectos.

Dessa forma, o professor e sua equipe podem vigiar a experiência on-line e à distância, no computador ou celular. Mesmo assim, os pesquisadores marcam presença física no local várias vezes por semana.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Tecnologia é uma aliada no trabalho do professor; experimento é monitorado por sensores (Foto: Luiz Alberto)

"São duas fases importantes, limpar a água para devolvê-la aos rios o mais pura possível, e depois separar essas algas que se alimentaram dos nutrientes do esgoto para produção de bionergia e fertilizantes", ressalta o professor.

O experimento está funcionando há cerca de um mês. Dentro de pouco tempo, os vários dados que estão sendo coletados diariamente trarão respostas relevantes aos pesquisadores.

Microalgas resistentes - As microalgas utilizadas nos tanques da fazenda-escola foram originalmente retiradas da vinhaça represada na usina de álcool e açúcar onde, em 2008, a pesquisa começou. Elas são resistentes porque nos efluentes da usina suportavam o calor e o pH ácido.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Professor cultiva as microalgas, originalmente retiradas de usina, no laboratório da UFMS (Foto: Luiz Alberto)

Naquele 2008, o professor Marc pesquisava efluentes de uma usina de álcool e açúcar, que produz também grandes quantidades de CO2. A meta era produzir biodiesel extraindo o diesel de algas, cultivadas com este CO2 excedente, além dos nutrientes que sobram, mas o processo se mostrou muito caro.

Agora, as algas servem à nova pesquisa. Elas são conservadas em garrafas de vidro no laboratório da UFMS, para que a equipe tenha sempre amostras à disposição.

Vale mencionar que após todo o processo nos tanques, as microalgas são decantadas, e em seguida passam por um digestor anaeróbio, onde a massa cheia de nutrientes é convertida em fertilizante e biogás, fonte de energia. “Assim, devolveremos aos rios água limpa sem conter mais os nutrientes”, enfatiza o professor Marc.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Professor aponta detalhes do experimento na sala de trabalho na UFMS (Foto: Luiz Alberto)

Negócios verdes - Na UCDB, o projeto do professor Marc é visto com muita expectativa e esperança de futuros benefícios ao meio ambiente. "É um projeto com uma linha prática mais próxima da realidade. Poderá melhorar a vida das pessoas, reduzir a poluição e gerar novos negócios verdes", aponta o engenheiro sanitarista e professor Fernando Magalhaes Filho que ministra aula nas engenharias, além dos programas de mestrado e doutorado.

A produção de biogás em experiências práticas sempre foi uma das metas da UCDB. "Mas, otimizar os processos da tecnologia para condições da nossa região e propiciar o uso inteligente das microalgas, também são pontos de grande impacto!", atesta Fernando Magalhães.

ETE Los Angeles - Encerrada essa fase de testes e observação que ainda deve durar alguns meses na fazenda-escola da UCDB, começará outra de tamanho maior. Os tanques serão instalados no ETE Los Angeles, da Águas Guariroba, onde as microalgas serão usadas para tratar experimentalmente o esgoto urbano de Campo Grande.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
ETE Los Angeles que vai receber o projeto da microalgas (Foto: Divulgação)

A Águas Guariroba informou que atua em parceria com as universidades para ampliar o desenvolvimento de ações técnicas e fortalecer o campo de pesquisa acadêmica em projetos voltados ao saneamento.

"Os projetos acadêmicos contam com o suporte via laboratórios, dados históricos e estruturas da ETE Los Angeles, como forma de auxiliar a pesquisa desenvolvida pelos estudantes, onde está incluído o projeto das microalgas, que são utilizadas para o tratamento experimental do esgoto urbano de Campo Grande", disse a concessionária.

De acordo com a Águas Guariroba, a ETE Los Angeles tem atualmente a capacidade de tratamento de 1080 litros de esgoto por segundo.

Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Trabalhos de estudo e pesquisa na UFMS (Fotos: Luiz Alberto)
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Diário Digital

Diário Digital

Diário Digital
Trabalhos em campo aberto na Fazenda-Escola UCDB (Foto: Luiz Alberto)

O post Na Capital, biotecnologia é aposta para fazer água de esgoto retornar limpa aos rios apareceu primeiro em Diário Digital.

Últimas