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Disputa pela guarda de animais domésticos ocupa tribunais

Projetos de lei que visavam regulamentar o tema acabaram arquivados na Câmara

Cidades|Do R7

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Em março de 2014, de casamento marcado, o advogado Bruno Gameiro, de 32 anos, comprou o buldogue francês Braddock, escolhido com a namorada. O cão morou com ele até julho do ano passado, quando o advogado se casou e o animal ganhou uma "mãe".

Só que o casamento terminou em dezembro. A ex-mulher de Bruno foi morar com os pais e levou Braddock. "No início, não me preocupei, pois achei que ela não me impediria de ver o cachorro quando pedisse. Mas não foi o que aconteceu. Cheguei a enviar notificação extrajudicial, mas ela ignorou. Não queria levar o caso à Justiça, mas não tive opção."

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O advogado de Gameiro entrou com ação cautelar pedindo a posse compartilhada. No fim de março, a juíza Gisele Silva Jardim, da 2.ª Vara de Família do Rio, determinou que do dia 1.º ao dia 15 de cada mês o cão deve ficar com ele; do dia 16 até o fim do mês, com a "mãe".

Após mais de quatro meses, em 1.º de abril, Gameiro voltou a ver Braddock. Ficou com ele até a manhã do dia 16. "Quando fui devolvê-lo, pedi que ela assinasse o recibo comprovando a entrega, mas minha ex-mulher se negou. Tive de pedir a uma testemunha que registrasse a devolução."

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Outro caso que chegou à Justiça do Rio em 2013 também envolve um buldogue francês, desta vez fêmea. Vitória foi comprada por um casal um ano antes do fim da união estável. Quando a relação acabou, Vitória ficou com o "pai". Sem conseguir ver a cachorra por oito meses, a "mãe" foi à Justiça.

"Ingressei com pedido de dissolução da união estável e pedi que minha cliente pudesse ver a cachorra nos fins de semana, a cada duas semanas", contou a advogada Luciane Noira, que representa a "mãe" de Vitória.

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A advogada disse que o juiz hesitou, mas acabou por atender à solicitação. Desde dezembro de 2013, a cada duas semanas, a cliente de Luciane pode ficar com Vitória das 9h de sábado às 18h de domingo.

A Justiça determinou que os gastos com a cachorra sejam divididos entre os ex-donos. "Isso não fazia parte do nosso pedido, mas foi decisão tomada em comum acordo. Achamos justo que os dois paguem pelos cuidados", disse Luciane.

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Pelo menos dois projetos de lei que visavam regulamentar a guarda de animais já foram discutidos na Câmara dos Deputados. Acabaram arquivados após debates nas comissões legislativas sobre a abrangência de termos como "animal de estimação". O projeto mais recente, de 2011, de autoria do então deputado federal Marco Aurélio Ubiali (PSB-SP), foi arquivado em janeiro pela Mesa Diretora.

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