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Em carta de Natal, jovem morto por leoa em zoo pediu amor da mãe e felicidade que nunca teve

Justiça reconheceu sua situação e determinou tratamento psiquiátrico antes de sua morte

Cidades|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Carta de Natal de Gerson de Melo Machado, jovem de 19 anos, foi divulgada após sua morte por ataque de leoa.
  • No documento, ele expressa desejos de amor e felicidade, além de querer ser policial florestal ou veterinário.
  • Viveu em instituições e teve um histórico de problemas psicológicos, com esquizofrenia em sua família.
  • Invadiu o recinto dos leões em um zoológico para realizar seu sonho de domar os animais e foi atacado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vaqueirinho enfrentava problemas de esquizofrenia e passou por diversos tratamentos psiquiátricos Reprodução/Instagram

Uma carta de Natal escrita pelo jovem Gerson de Melo Machado, que morreu após invadir o recinto de uma leoa em um zoológico em João Pessoa (PB), foi divulgada na terça-feira (16), pela conselheira tutelar Verônica Oliveira, que acompanhou o “Vaqueirinho de Mangabeira“, como ele era conhecido, dos 10 aos 18 anos. O jovem, que era esquizofrênico, morreu aos 19 anos.

Os pedidos feitos pelo jovem na carta “Desejo do coração”, escrita por ele aos 17 anos, tem gerado comoção nas redes sociais.

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“Eu queria ter uma grande felicidade que eu nunca tive, mas, como Deus é maior, um dia irei ter. Eu queria ter visita da minha mãe para ter carinho e amor”, escreveu.

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Vaqueirinho contou no texto que tinha o desejo de conquistar um emprego como policial florestal ou veterinário.

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Ele também agradeceu por, à época, estar privado de liberdade e ter encontrado pessoas que o acolheram e aconselharam, como a “professora Margarete”, do CEA (Centro Educacional do Adolescente) em João Pessoa.

Segundo a conselheira tutelar, a professora citada na carta postou a foto do texto em um grupo do qual ela faz parte.

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“É a última carta, do último Natal de Gerson quando ainda era adolescente”, explicou. Na ocasião, os internos do CEA foram instruídos a escreverem seus desejos em uma carta.

“Gerson não desejou nada material, não desejou nada impossível, mas parece que a vida dele foi feita de impossibilidades. Como doeu ler essa carta cheia de significados e recados. Espero que aqueles que jogaram Gerson na ‘cova dos leões’ leiam e consigam dormir”, afirmou Verônica.

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No dia 30 de novembro, o jovem, que tinha o sonho de domar leões na África, escalou uma parede de seis metros de altura e grades de segurança, acessou uma árvore e invadiu o recinto dos leões de um zoológico em João Pessoa.

Ele foi atacado por uma leoa e não resistiu aos ferimentos. O parque onde aconteceu o ataque, que estava fechado desde então, será reaberto na quinta-feira (18).

Laudos de perícias determinadas pela Justiça indicaram que, além do diagnóstico de esquizofrenia, Vaqueirinho tinha sintomas psicóticos ativos.

A mãe e os avós do jovem também tiveram diagnósticos de esquizofrenia. A mãe, inclusive, perdeu a guarda dele e dos outros quatro filhos - que foram adotados. O nome do pai não constava em seus documentos.

“Ela (a mãe) é viva, mas não tinha condições de cuidar dele. Ela tem uma esquizofrenia bem grave. E nem era mais mãe porque foi destituída”, disse a conselheira tutelar ao Estadão. Segundo ela quando garoto, Vaqueirinho teve a possibilidade de adoção boicotada.

“A instituição que ele estava bem na infância, quando a mãe foi destituída, informava que ele não tinha sido adotado porque tinha laudo de esquizofrenia. Mas criança não pode ter esse laudo. Nós advertimos a coordenadora porque ficou claro que os adotantes eram informados de que ele tinha esquizofrenia e ele não teve a oportunidade como os irmãos”, contou Verônica.

O garoto nasceu em Mangabeira, bairro mais populoso da capital paraibana. De acordo com registros oficiais e pessoas que acompanharam a vida de Vaqueirinho, entre idas e vindas, ele passou por diferentes tratamentos psiquiátricos dos 7 aos 18 anos.

Também foi apreendido e viveu em espaços de ressocialização para adolescentes. Vaqueirinho acumulou 16 passagens policias por crimes diversos.

Na semana anterior à sua morte, ao ser solto depois de ser preso duas vezes no mesmo dia, a Justiça havia reconhecido a situação dele, determinado o encaminhamento para tratamento psiquiátrico com urgência e feito o pedido para a liberação da aposentadoria por incapacidade.

Leia na íntegra da carta escrita pelo Vaqueirinho

“Desejo do coração”

Eu queria ter uma grande felicidade que eu nunca tive, mas como Deus é maior um dia irei ter. Eu queria ter visita da minha mãe para ter carinho e amor. Desejo um emprego de polícia florestal ou veterinário.

Agradeço por estar privado de liberdade e ter encontrado conselho da professora Margarete, agentes, professor Tony, diretores Luciana, Marcos da Paz, o advogado, a juíza Antonieta. Eu desejo a todos um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

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