Especialista critica redes após trend que estimula violência contra a mulher: ‘Não basta cumprir ordem judicial’
Flávio D’urso explica o papel do TikTok, do legislativo e da população diante da trend ‘Caso Ela Diga Não’, que viralizou recentemente
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva deu cinco dias para o aplicativo do TikTok se explicar pela trend “Caso Ela Diga Não”, de apologia à violência contra mulher. Na rede social, homens gravam vídeos em que simulam o que fariam caso tivessem um pedido de namoro ou casamento recusado. Os vídeos foram removidos.
Em entrevista ao Conexão Record News desta quarta-feira (11), o especialista em crimes digitais Flávio D’urso fala que alguém pensar ter o direito de violentar outra pessoa por estar exercendo sua liberdade de escolha é doentio: “Vivemos em uma sociedade doente”.
O especialista reforça que é “inaceitável” isso estar acontecendo, principalmente no cenário brasileiro atual de recordes anuais de feminicídio. Ele analisa que alguns homens “ainda se veem superiores e podendo fazer com que as mulheres sejam obrigadas a acatar a sua vontade simplesmente por ser a sua vontade, e aí acabam criando trends absurdas como essa”.
D’urso ainda fala da importância de cobrar os políticos do legislativo e as redes sociais. “É importante que haja essa cobrança para as redes sociais. O que está sendo feito de maneira proativa? Não basta simplesmente cumprir ordem judicial. O que elas estão fazendo? Como elas estão utilizando, inclusive, a tecnologia, a inteligência artificial, para analisar esses conteúdos e derrubá-los? Antes mesmo, repito, que haja uma definição, uma ordem judicial para tanto”, argumenta.
Além disso, os usuários devem denunciar ao verem conteúdos que ferem as diretrizes de uso da plataforma: “As redes sociais devem aplicar com firmeza essas regras, inclusive em casos mais extremos como esses, banir esses usuários, para que eles não tenham mais esse canal”, explica.
Segundo ele, é essencial que medidas como a educação sejam melhor aplicadas para os jovens, principalmente os influenciadores digitais. A imprensa pode ajudar muito no processo de esclarecimento da população e das autoridades: “Para que se verifique então a possibilidade de uma lei específica sobre o tema”.
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