Cidades Estudante que levou 18 pontos no rosto após sofrer corte em ônibus faz tratamento para a cicatriz

Estudante que levou 18 pontos no rosto após sofrer corte em ônibus faz tratamento para a cicatriz

Médica especializada em reconstrução facial diz que, 'conforme a cicatriz desaparece, a história trágica começa a ser superada'

  • Cidades | Isabelle Amaral*, do R7

Stefani voltou ao médico para retirar os 18 pontos na última terça-feira (6)

Stefani voltou ao médico para retirar os 18 pontos na última terça-feira (6)

Reprodução/Redes sociais

O ataque sofrido pela estudante de enfermagem Stefani Firmo, de 23 anos, que teve o rosto cortado enquanto dormia em um ônibus que saía de Recife (PE) para Salvador (BA), chocou não só pela forma como o crime ocorreu, mas pela imagem dos pontos costurados com linha escura que atravessa o rosto da jovem. São 18 pontos, que vão da orelha direita ao centro da boca.

A médica dermatologista Carla Goes, fundadora de um instituto especializado em reconstrução facial para vítimas de violência doméstica, afirma que em casos semelhantes aos de Stefani o tratamento da marca deixada é também uma forma de curar a dor do trauma. "Conforme a cicatriz desaparece, é uma história trágica que ela vai conseguindo superar", diz Carla sobre o depoimento das pacientes/vítimas. 

Após a divulgação das imagens nas redes sociais, alguns internautas questionaram a qualidade do procedimento e outros comentaram a possibilidade de ela fazer uma reconstrução estética para que não se lembre do momento em que foi golpeada no veículo sem motivo aparente.

Em entrevista ao R7, a estudante afirmou que retornou à médica para retirar os pontos na terça-feira (6), e ela recomendou a Stefani que usasse gel cicatrizador e uma boa quantidade de protetor solar, além de evitar ficar exposta ao sol por, no mínimo, três meses.

Stefani diz que não descarta a possibilidade de fazer um procedimento mais invasivo, como uma cirurgia estética, para remover a cicratiz que marca seu rosto. "Não seria viável um procedimento invasivo agora devido ao fato de a lesão ser recente", afirma.

A dermatologista Carla Goes explica que, como os pontos foram dados na emergência logo após o ocorrido, é normal que a imagem cause um estranhamento maior. Mas, segundo ela, é possível tratar, até que ocorra a remoção total da cicatriz. Na avaliação da dermatologista, a marca deixada pelo ataque pode ser removida com laser ou uma pequena cirurgia de correção plástica.

Carla é fundadora do Instituto Um Novo Olhar, uma ONG que atende vítimas de violência doméstica e reconstrói sua autoestima, e ressalta a importância de receber um socorro médico especializado nesses casos: "É fundamental, porque a pessoa vislumbra um recomeço. Ouço muito minhas pacientes comentarem que, conforme a cicatriz desaparece, outro ciclo começa a partir dali", diz.

Segundo a especialista, a maioria das mulheres que buscam atendimento estético sofreu algum tipo de agressão na região do rosto. "Recebemos lesões que geralmente são múltiplas, com cortes no rosto, pescoço, mutilação de membros, como nariz, boca e orelhas, além de hematomas, perda de dentes, entre outras coisas", explica.

No caso da vítima que teve o rosto cortado no ônibus, não foi violência doméstica, mas a jovem acredita que tenha sido intencional. A polícia investiga uma passageira que estava sentada na poltrona atrás de Stefani, que estava com uma faca.

A estudante diz que o corte foi profundo, principalmente na região do queixo, "mas graças a Deus não comprometeu nenhum nervo", ressaltou. Agora, Stefani aguarda o resultado das investigações e pede justiça.

Relembre o caso

A vítima fazia uma viagem de ônibus do Recife, em Pernambuco, para Salvador, na Bahia, após fazer uma prova de residência, na terça-feira (29). Ela foi atingida por um golpe de faca enquanto dormia e, ao sentir a dor, acordou, mas a suspeita agiu rapidamente e ela não conseguiu identificar quem a tinha atingido.

O motorista do ônibus levou todos a uma delegacia em Conde (BA). No local, os passageiros foram ouvidos e uma faca foi encontrada nos pertences de uma mulher que estava sentada atrás da jovem.

Apesar disso, os policiais afirmaram que não poderiam decretar prisão preventiva porque não havia provas suficientes. O objeto foi levado para a perícia e as imagens das câmeras de segurança do ônibus foram solicitadas à empresa.

Somente na segunda-feira (5) a empresa responsável pelo coletivo encaminhou as imagens, que mostram o momento em que Stefani é atingida. O ataque ocorre rapidamente e, quando a estudante sente que está ferida, não consegue identificar como ocorreu nem quem a havia golpeado.

Na sequência, ela recorre a uma amiga, que faz os primeiros socorros ainda no local. Segundo a vítima, não houve nenhum tipo de desentendimento. "O ataque foi de graça." Agora, após ter sido atendida no hospital e levado 18 pontos no rosto, Stefani aguarda os resultados da perícia. "Não estamos seguros em lugar nenhum", lamenta.

* Estagiária sob supervisão de Fabíola Perez

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