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Ex-presidente do Crea-SP é condenado a 13 anos de prisão

Segundo advogado do ex-presidente, a decisão não condiz com a verdade, já que as provas mostram que não houve desvio

Cidades|Agência Brasil

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O ex-presidente do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) José Eduardo de Paula Alonso foi condenado pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo a 13 anos de prisão por desvio de recursos da entidade nos anos de 2003 e 2004. Segundo a denúncia do MPF (Ministério Público Federal), Alonso fez duas operações irregulares que geraram prejuízos de R$ 516 mil à autarquia. A sentença prevê também pagamento de multa equivalente a quase mil salários-mínimos. Cabe recurso da decisão.

O MPF aponta que, na primeira operação, Alonso sacou R$ 107 mil por meio de um cheque emitido em favor do próprio Crea-SP. “Não havia justificativa administrativa para a operação, cujo único objetivo foi viabilizar a obtenção da quantia em espécie”, destacou o Ministério Público. Segundo a procuradoria, as testemunhas confirmaram que a entidade não mantinha um fundo em dinheiro e que todos os pagamentos seguiam procedimentos específicos, sendo efetuados pela contabilidade.

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Na segunda operação, de acordo com o MPF, Alonso ordenou a emissão de dois cheques para saldar dívidas da entidade. “Apesar de a rotina administrativa não prever que esse tipo de transação passasse pela presidência do conselho, o pagamento foi determinado pelo réu com base apenas em uma planilha de gastos que ele mesmo havia assinado, sem a participação dos setores que deveriam ter realizado as etapas do processo”, diz a procuradoria.

A sentença aponta que o recebimento dos cheques não foi comprovado pelos destinatários. Ainda segundo o MPF, as investigações identificaram que pelo menos R$ 309,5 mil foram usados para gastos com materiais de campanha de políticos que contavam com o apoio de Alonso.

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Defesa

Ricardo Luiz de Toledo Santos Filho, advogado de defesa de José Eduardo de Paula Alonso, avalia que a decisão não reflete a realidade do processo, pois “as provas demonstram que não houve desvio de recursos”. “Uma coisa que é muito importante: jamais houve apropriação para ele próprio, o que se discute é que ele deveria pagar A, mas pagou B indevidamente, e não em benefício próprio”, explicou. Ele disse que recorrerá da decisão.

O advogado acredita também que há desproporcionalidade na pena, além de falhas técnicas no processo. “Alonso foi denunciado numa situação de continuidade delitiva. É um crime só. Na sentença, de forma surpreendente, tem a acusação de mais crime do qual nós não nos defendemos tecnicamente. Sem direito à defesa e passando por cima das regras processuais. Isso será objeto de apelação. Isso não subsiste”, criticou.

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Santos Filho avalia ainda que há um viés político na ação devido disputas internas no Crea-SP. “Faz 14 anos que o Alonso não está mais lá, mas até hoje tem briga política de outros candidatos. Essa ação foi decorrente de uma ação civil pública de um adversário dele”, apontou.

A Agência Brasil entrou em contato o Crea-SP, mas a entidade não se manifestou sobre a decisão até a publicação da reportagem.

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