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Família questiona rumos do julgamento do caso de Davi Fiuza

Julgado no início em ação civil, caso que acusa 17 policiais militares por homicídio e ocultação de cadáver passa para Justiça Militar

Cidades|Ugo Sartori, do R7*

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Jovem está desaparecido há 4 anos. Caso que acusa PMs passa para Justiça Militar
Jovem está desaparecido há 4 anos. Caso que acusa PMs passa para Justiça Militar

“A polícia não pode investigar a polícia!”, diz a carta de repúdio da RGMR (Rede Global de Mães em Resistência) sobre a decisão do TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia) de enviar o processo penal do assassinato de Davi Fiuza para a Justiça Militar. O jovem, de 16 anos, desapareceu na noite de 24 de outubro de 2014, no Parque São Cristóvão, bairro de Salvador, Bahia.

No mesmo dia do desaparecimento de Fiuza, policiais militares estavam em uma operação no bairro com alunos da academia da PM. Testemunhas afirmam que o jovem foi encapuzado, teve os pés amarrados, foi colocado no porta-malas do veículo dos policiais e nunca mais foi visto. Um inquérito de junho de 2018 que acusava dois tenentes, dois sargentos e 13 soldados-alunos foi enviado ao Ministério Público.


Na ação, 17 policiais do Peto (Pelotão Especial Tático Operacional) foram denunciados por homicídio e ocultação de cadáver. Além disso, investigações apontam que os policiais usavam os corpos de jovens negros e pobres da periferia de Salvador como laboratório para os treinamentos dos agentes da academia de polícia.

“O envio do caso à Justiça Militar representa um escarnio a família de Davi, a nós mães em resistência, e a todas as vítimas do terror policial na Bahia, no Brasil e nas Américas”, diz a carta de repúdio, que exige três ações. A primeira delas é que a juíza Alize Botelho Almeida Rodrigues, responsável pelo envio do caso à Justiça Militar, reveja sua decisão e assim, volte o caso ao Tribunal de Justiça da Bahia.


A segunda exigência é que organismos internacionais pressionem o governo Brasileiro para que as investigações que envolvam policiais sejam encaminhadas à justiça federal. A última imposição é que a sociedade se posicione contra o genocídio que a juventude afro-indígena e pobre do Brasil e das Américas vêm sofrendo.

Genocídio da juventude afro-indígena


De acordo com o documento, entre 2009 e 2013, policiais brasileiros mataram 11.197 pessoas. No ano de 2015, 3.320 pessoas foram assassinadas, 70% delas eram jovens negros periféricos. Órgãos internacionais, como ONU, Human Rights Watch, Anistia Internacional já denunciaram o genocídio praticado pelas polícias brasileiras, mas tais violações dos direitos humanos costumam ser arquivadas por “falta de provas” ou justificadas por serem “ocorrências regulares”.

“O desaparecimento do meu filho não pode entrar para estatística. Não pode ficar impune”, disse ao R7 Rute Fiuza, mãe de Davi. “Eu não vou me afastar da luta por Davi". O maior desejo dela é possa obter os restos mortais do filho "possa dar um enterro digno ao Davi".

*Estagiário do R7, com supervisão de Celso Fonseca

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