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Pandemia agrava transtornos mentais e leva mais pessoas aos consultórios

Adversidades geradas pelo isolamento social acentuam quadros de depressão, entre outras doenças psiquiátricas e psicológicas

Folha Vitória|Do R7

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A pandemia agravou uma situação que já vinha aumentando nos últimos tempos: o diagnóstico de transtornos mentais. Entre os atendimentos nos consultórios, houve um aumento das consultas com psicólogos, que passaram de 5.488 em 2019 para 7.090 em 2020. Esse aumento de 29,19% pode ser justificado pela pandemia. Já os consultórios psiquiátricos viram um aumento no número de atendimentos a partir de maio de 2020, com uma média mensal de 1.312 consultas em regime ambulatorial.

“As pessoas finalmente descobriram os benefícios da psiquiatria. A pandemia acelerou esse processo de procura por tratamento. O psiquiatra facilita o tratamento porque sabe que cada um tem pré-disposições individuais. Conforme a dinâmica de sua personalidade, o indivíduo começa a lidar com as adversidades de maneira diferente. Alguns precisam enfrentar dificuldades como pânico, alterações repentinas de humor, tristeza, ansiedade e depressão”, explica o psiquiatra, Vicente Ramatis.

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Especialmente em quadros de depressão é necessário buscar o tratamento com a mente aberta e ter muito cuidados com palpites alheios. “Cuidado com as opiniões dos amigos palpiteiros. Muitos incentivam a iniciar uma automedicação, a beber para relaxar e dão até maus conselhos sobre relacionamento, por exemplo. Existe a questão das individualidades que tem que ser respeitada”, analisa Ramatis.

O psiquiatra aconselha a não estender o sofrimento e buscar o quanto antes consultar um profissional. “O tratamento facilita muito a vida do paciente por seus benefícios rápidos. A gente vive em coletividade, ninguém vive sem depender do outro, e isso se aplica à saúde mental. Procure alguém que tenha o conhecimento e não fique padecendo sozinho”.

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Transtornos alimentares

As disfunções mentais podem causar ainda um transtorno alimentar. “Nem sempre os distúrbios alimentares serão tratados somente com dietas ou nas academias. Isso não funciona se a base do quadro não for tratada. Comer mais é para alguns a forma encontrada para diminuir a sensação de tristeza, angústia, vazio, depressão. Outros já emagrecem”, alerta o psiquiatra.

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De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os transtornos alimentares são um conjunto de doenças psiquiátricas de origem genética, hereditária, psicológicas e sociais, caracterizados por perturbação persistente na alimentação e, considerando suas características, eles podem ser potencializados durante esse período de isolamento social.

No Brasil, segundo dados da OMS, 4,7% da população sofre de transtorno de compulsão alimentar (TCA). Esse número é quase duas vezes maior que a média mundial, que gira em torno de 2,6% da população. No país, a incidência maior é em jovens mulheres de 14 a 18 anos.

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