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Saída dos EUA joga acordo de Paris em limbo

Saída dos EUA joga acordo de Paris em limbo

Folha Vitória|Do R7

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Washington - Os líderes mundiais que estão prometendo apoio ao Acordo de Paris, firmado em 2015, mesmo sem os Estados Unidos, enfrentarão agora vários obstáculos, como a perda dos bilhões de dólares prometidos por Washington para financiar políticas para combater a mudança climática.

A decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA ameaça abalar a estrutura básica do acordo, como os incentivos financeiros que atraíram os países mais pobres para o tratado.

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Promessas de Pequim, Paris e outras capitais de defender o acordo internacional devem continuar a ser ouvidas por um tempo. Mas autoridades dizem que o futuro do acordo no longo prazo está em perigo.

"Você não pode compensar a retirada do segundo maior emissor mundial de poluentes do acordo", disse Paul Bodnar, que conduziu as negociações financeiras dos EUA em Paris.

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A disposição dos EUA em propor maiores cortes de emissão e colocar dinheiro na mesa ajudou a solidificar o consenso global por trás do acordo. Crucialmente, isso também ajudou a convencer políticos do mundo todo sobre a necessidade de buscar cortes mais ambiciosos e canalizar mais dinheiro na luta contra o aquecimento global, segundo autoridades e especialistas.

O objetivo do Acordo de Paris era limitar o aquecimento global para "bem abaixo" dos 2 graus Celsius até o final do século. O planeta já aqueceu 0,9 grau Celsius desde o final do século 19, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), que também espera que as emissões de gases estufa acelere sem maiores ações do homem.

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Outro pilar do acordo é a exigência de que países ricos forneçam pelo US$ 100 bilhões por ano para financiar economias em desenvolvimento. O objetivo era mudar o curso do desenvolvimento econômico em países mais pobres, direcionando-o para a energia renovável antes de se tornarem dependentes de combustíveis fósseis. O dinheiro também deveria ajudar esses países a desenvolverem uma infraestrutura resistente aos efeitos da mudança climática, como tempestades poderosas e alagamentos.

Também no âmbito do acordo, os governos reconheceram que os países ricos precisam alocar muito mais que US$ 100 bilhões por ano para garantir que as emissões nos países pobres não disparem quando suas economias crescerem.

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"As finanças estão no núcleo do acordo", disse Bodnar. "Se você está em um país muito pobre e sua prioridade é o alívio da pobreza, você vai precisar de um incentivo para se concentrar na construção de painéis solares, em vez de carvão", disse.

No fim do governo Obama, a contribuição dos Estados Unidos para a meta de US$ 100 bilhões era relativamente pequena: US$ 2,6 bilhões anuais. Países em desenvolvimento esperavam ver esse montante subir significativamente.

A proposta orçamentária de Trump acaba com o financiamento americano para a meta dos US$ 100 bilhões. A proposta pede pela eliminação do apoio para a Green Climate Fund, uma agência multilateral que financia o combate a mudança climática.

O governo Obama prometeu US$ 3 bilhões para o fundo, tornando os EUA o maior doados, mas só entregou US$ 1 bilhão. "O problema é a incerteza", disse Zaheer Fakir, uma autoridade sul-africana que faz parte do painel de diretores do fundo. "Será que a Alemanha, por exemplo, vai aumentar suas contribuições para preencher a lacuna deixada pelos americanos?". Fonte: Dow Jones Newswires.

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