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Veneno de peixe ornamental paralisa agressores sem causar dor

Veneno de peixe ornamental paralisa agressores sem causar dor

Folha Vitória|Do R7

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- Os blênios dentes-de-sabre são peixes pequenos, tímidos e aparentemente inofensivos, que usam seus longos e afiados caninos para se defender, injetando um poderoso veneno nos potenciais predadores desavisados. Depois de estudar o conjunto de proteínas presentes nesse veneno, um grupo de cientistas concluiu que ele tem propriedades únicas que podem ser utilizadas para o desenvolvimento de analgésicos potentes.

De acordo com o estudo, publicado nesta quinta-feira,30, na revista científica Current Biology, o veneno do pequeno peixe do gênero Meiacanthus contém substâncias como opióides, que atuam como a morfina e a heroína, causando uma súbita queda na pressão sanguínea das vítimas, paralisando-as imediatamente.

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Depois de extrair o veneno e injetá-o em camundongos de laboratório, os cientistas constataram que roedores não apresentaram nenhum sinal de dor.

"O fato do veneno do blênio dende-de-sabre ser indolor para os camundongos foi uma grande surpresa. O veneno dos peixes com espinhas dorsais produzem dor imediata e lancinante. A dor mais forte que já senti, por exemplo, foi produzida pelo veneno de arraia voadora", disse um dos autores do estudo, Bryan Fry, da Universidade de Queensland (Austrália).

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Apesar do veneno potente, o Meiacanthus é um popular peixe ornamental. Com menos de 10 centímetros de comprimento, ele se alimenta basicamente de plâncton e algas. Mas graças aos dois caninos de seu maxilar inferior, que são ligados a glândulas onde fica armazenado o veneno, o pequeno peixe enfrenta agressivamente predadores muito maiores que ele. Segundo o cientista, com a queda súbita da pressão sanguínea, o inimigo fica desorientado e incapaz de caçar.

"Ao desacelerar os potenciais predadores, os blênios dentes-de-sabre têm a chance de escapar. Embora o veneno não produza dor, os opióides produzem uma sensação extremamente desagradável de náusea e tontura", explicou Fry.

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Depois de extrair o veneno do Meiacanthus, os cientistas o submeteram a uma análise proteômica, que é o estudo em larga escala do conjunto de proteínas ali existentes.

Segundo Fry, foram encontrados três componentes venenosos. Um deles é um neuropeptídeo que também ocorre no veneno mortal do caracol-de-cone. O segundo é uma lipase semelhante à que é encontrada no veneno do escorpião. O terceiro é um peptídeo opióide, semelhante aos que existem nos mais potentes analgésicos, como a morfina.

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Método trabalhoso

A extração do veneno do pequeno peixe, no entanto, não foi tarefa fácil, segundo os pesquisadores. Quando ataca, o Meiacanthus injeta uma minúscula quantidade do veneno, tornando extremamente difícil sua coleta para a análise proteômica.

O método encontrado pelos cientistas para a extração do veneno foi trabalhoso. Eles tiravam os peixes de seus tanques e o provocavam com um cotonete até que eles mordessem a extremidade de algodão. O peixe então era introduzido de volta no tanque e o cotonete era colocado em uma solução que extraía pequena quantidade do veneno. O processo então era repetido à exaustão.

Também participaram do estudo cientistas da Escola de Medicina Tropical de Liverpool (Reino Unido) e da Universidade de Leiden (Holanda).

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