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Ações da Vale despencam após rompimento de barragem e bolsa recua

Gazeta Digital|Do R7

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Bolsa de valores BBC NEWS BRASIL

A Bolsa de São Paulo perdia quase 3 mil pontos nesta segunda-feira, 28, com a forte queda nas ações da Vale e da Bradespar. As ações ordinárias das duas companhias perdiam cerca de 19% logo no início de pregão, repercutindo a tragédia em Brumadinho (MG), no primeiro dia de negociações após o ocorrido. O leilão de abertura das duas ações durou mais que o normal, mas a queda do Ibovespa era moderada, seguindo a variação negativa das bolsas europeias. Às 13h18, o Ibovespa caía 2,63%, aos 95.105 pontos. No mesmo horário, a ações ON da Vale tinham queda de 22,48%

A Vale ON - que responde por 10,9% da carteira do Ibovespa - é de longe a mais negociada entre as ações do índice. A segunda ação mais negociada é a ON da Bradespar, empresa do Bradesco que tem como maior participação a Vale.

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O impacto sobre o valor de mercado da mineradora divide analistas. Há quem entenda que o efeito no negócio da Vale será limitado. Os profissionais destacam que a produção local corresponde a menos de 2% da produção total da Vale, portanto, do ponto de vista estritamente operacional, o impacto do rompimento seria pequeno. "A capacidade ociosa em outras minas permite o remanejamento da operação", comentaram os analistas da Coinvalores, em relatório assinado por Sandra Peres, Felipe Martins Silveira e Sabrina Cassiano.

Eles salientam, porém, que "além de novos impactos financeiros potenciais, mudanças regulatórias também ficam no radar, com a possibilidade de exigências mais rígidas quanto à licença para novas barragens e minas". Eles sugerem que as ações da Vale devem ficar pressionadas até que todos os potenciais impactos possam ser mensurados de forma mais clara.

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"No curto prazo, os papéis da mineradora deverão continuar pressionados, reflexo dos danos de imagem à companhia e provisões para pagamento de multas e indenizações", disseram os profissionais da Guide, que também sugerem que o rompimento da barragem poderá atrasar as concessões e licenças ambientais nas operações Brasil. "Há também o risco de novos processos de investidores nos EUA e rebaixamento de agências de risco", acrescentaram. A casa lembra que, apesar de decisões judiciais que levaram ao bloqueio de R$11 bilhões, a Vale possui fôlego financeiro, já que contava com um caixa próximo de cerca de R$ 23 bilhões ao fim do terceiro trimestre.

O analista-chefe da Necton, Glauco Legat, disse que não recomendaria a venda das ações da companhia tendo em vista o baixo impacto do rompimento na produção de minério de ferro da companhia, e o fato de que há capacidade ociosa. Além disso, aponta que o sistema logístico, que interliga a Ferrovia Espírito Santo - Minas Gerais, aparentemente não foi interrompido e o escoamento da produção segue intacto.

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Adicionalmente, Legat citou que a Samarco levou a Vale a provisionar US$ 2,7 bilhões de potenciais ressarcimentos, pagamento que se dará no prazo de 12 anos (até 2028), e que o minério de ferro futuro subiu nesta segunda 2,77%.

Siderúrgicas

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As ações do setor de siderurgia também refletem a queda da Vale e recuam. Liderando as baixas, as ações ON da CSN caem 2,78%, seguidas de queda de 0,94% das ações PN da Gerdau. A Gerdau Metalúrgica PN tem baixa de 1,19%.

"O setor acaba sendo influenciado porque algumas empresas possuem também um braço de mineração. Entre as mais afetadas está a CSN. As ações são afetadas diante de um efeito dominó, uma vez que o investidor se desfaz de papéis ligados à mineração", diz Luiz Roberto Monteiro, operador de mesa institucional da Renascença.

Mercado externo

As ADRs (American Depositary Receipt) - recibos de ações através dos quais empresas não sediadas nos Estados Unidos podem negociar seus papéis no mercado norte americano - abriram em forte queda em Nova York, depois de ter recuo expressivo também durante os negócios do pré-mercado. Às 12h35 (de Brasília), o ADR da empresa caía 16,91%, a US$ 11,40. No mesmo horário, o principal fundo de índice (ETF) de papéis brasileiros negociados em Nova York, o EWZ, recuava 2,85%, a US$ 42,57. (Colaborou Monique Heemann)

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