Imagens gravadas antes do incêndio mostram que uso de pirotecnia na boate Kiss era comum
Casa noturna colocava fogos de artifício em garrafas de espumante
Cidades|Do Domingo Espetacular

Imagens gravadas dentro da boate Kiss, em Santa Maria (RS), cinco meses antes do incêndio que matou 241 pessoas, mostram que era comum o uso de fogos de artifício até para servir bebidas. O material foi obtido com exclusividade pelo Domingo Espetacular.
No evento que comemorava a escolha do Mister Brasil, é possível ver no balcão do bar dez baldes com garrafas de espumante. Em todos eles, havia sinalizadores presos ás garrafas.
Para o especialista em segurança, José Roberto Cevieri, essa brincadeira cercada de luxo pode ser fatal.
— Todas aquelas latas e aquele baldes com esses acendedores se por acaso um deles caírem no chão, e se for um carpete, o risco de fogo é um pouco alto. Se cair por dentro do bar, o bar tem bebida alcoólica. Álcool pega fogo. O problema se a casa está cheia e o fogo cai no chão ou cai pra dentro do bar e faz uma labareda maior, você vai ter um estouro da boiada. Essas pessoas vão sair correndo sem direção e ai o que acontece é o que a gente vê. A maioria acaba morrendo pisada.
Polícia confirma que boate Kiss estava superlotada na noite de incêndio
Bruno Jobbs organizou a festa e disse que o uso desses sinalizadores em boates é mais comum do que se pensa.
— Tenho certeza em afirmar que todas as casas usavam, sim, aqueles fogos. Não era somente a Kiss que fazia uso daqueles tipos de fogos pra chamar a atenção do público. Vinha nos champanhes, drinks, não somente na boate Kiss.
O delegado Sandro Meinerz, responsável pela investigação, disse que há no inquérito vídeos para mostrar que era habitual o uso dos fogos. A Polícia Civil já ouviu 700 pessoas. Os trabalhos devem ser concluídos no começo desta semana.
Nas imagens também é possível ver a única porta da casa noturna. A dificuldade de evacuação foi um dos motivos que deixou tantas pessoas mortas. Nenhum extintor de incêndio é visto nas gravações.
Entenda o caso
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, a 290 km de Porto Alegre, aconteceu na madrugada do dia 27 de janeiro e deixou 241 mortos e mais de cem feridos. O fogo teria começado quando a banda Gurizada Fandangueira se apresentava. Segundo testemunhas, durante o show foi utilizado um sinalizador — uma espécie de fogo de artifício chamado "sputnik" — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se alastraram em poucos minutos.
A casa noturna estava superlotada na noite da tragédia, segundo o Corpo de Bombeiros. O incêndio provocou pânico e muitos não conseguiram acessar a única saída da boate. Os proprietários do estabelecimento não tinham autorização dos bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da casa estava vencido desde agosto de 2012.
Esta é considerada a segunda maior tragédia do País depois do incêndio do Grande Circo Americano, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 17 de dezembro de 1961, o circo pegou fogo durante uma apresentação e deixou 503 mortos.
Assista ao vídeo:













