Indiciados por tragédia no RS poderão ir a júri popular
Investigação sobre tragédia de Santa Maria foi concluída e 16 pessoas foram indiciadas
Cidades|Com R7
A Polícia Civil gaúcha confirmou que uma série de falhas provocou o incêndio que matou 241 jovens durante uma festa na boate Kiss e apontou diversas pessoas como responsáveis diretas ou indiretas pelo desastre, ao final do inquérito que investigou o caso, nesta sexta-feira. A tragédia ocorrida na madrugada de 27 de janeiro, em Santa Maria, na região central do Rio Grande do Sul, foi considerada a maior da história no Estado e teve repercussão mundial.
O resultado da investigação foi apresentado pelos delegados Marcelo Arigony, Sandro Meinerz, Marcos Vianna, Luisa Souza e Gabriel Zanella, na presença do chefe da Polícia Civil Ranolfo Vieira Júnior, no auditório do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria.
Vídeos que mostram início do incêndio na boate Kiss são divulgados pela Polícia Civil do RS
Do total, 16 pessoas foram indiciadas criminalmente. Se o Ministério Público confirmar a acusação e a Justiça abrir o processo nos termos da conclusão do inquérito, elas irão a júri popular. Além disso, foram apontadas outras 12 pessoas, entre as quais o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), por indícios de prática de crimes ou irregularidades, mas eventual processo contra elas ocorrerá em foro específico.
No caso do prefeito, a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado. No caso de bombeiros, a Justiça Militar. E no caso de funcionários públicos, juizados de primeiro grau ou, se forem denunciados junto com o prefeito, a mesma instância do administrador.
Indiciados
Foram indiciados criminalmente por homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar — o cantor e produtor da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão; os dois sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann; o gerente do estabelecimento, Ricardo de Castro; a mãe e a irmã de Spohr, Marlene Teresinha Calegaro e Ângela Calegaro e dois bombeiros que realizaram vistoria no local antes do incêndio: Gilso Martins Dias e Vagner Guimarães Coelho.
Polícia confirma que boate Kiss estava superlotada na noite de incêndio
O atual secretário municipal de Mobilidade Urbana, Miguel Caetano Passini, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Alberto Carvalho Junior, o chefe da fiscalização da Secretaria de Mobilidade Urbana, Beloyannes Orengo de Pietro Júnior, e o funcionário da secretaria de Finanças que emitiu o alvará de localização da boate, Marcus Vinicius Bittencourt Biermann, responderão por homicídio culposo - quando não há intenção de matar.
Já o major Gerson da Rosa Pereira e o sargento Renan Severo Berleze, do Corpo de Bombeiros, que incluíram documentos na pasta referente ao alvará da boate, foram indiciados por fraude processual.
O ex-sócio da boate, Elton Cristiano Uroda, vai responder por falso testemunho.
Principais conclusões
A investigação da polícia apontou que o incêndio na boate Kiss começou por volta das 3h da madrugada do dia 27 de janeiro. Segundo o delegado Arigony, o estabelecimento não tinha condições de funcionar.
Além do uso indevido de fogos de artifícios, a casa de show possuía barras de ferro de contenção que impediram a saída das pessoas do local, que não tinha apenas uma porta de entrada e saída. Segundo a polícia, o extintor de incêndio localizado ao lado do palco não funcionou quando o fogo começou.
Mais de 119 pessoas disseram em depoimento que o local estava superlotado. De acordo com o polícia, havia 864 pessoas no interior da boate no momento do incêndio.
A espuma usada para isolamento acústico, afirma a polícia, era "inadequada e irregular", feita de poliuterano. As janelas da boate estavam obstruídas, e não havia exaustão de ar adequada. Segundo Arigony, 100% das mortes foram provocadas por asfixia causada por monóxido de carbono e cianeto.















