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Mais de 50% das mulheres vítimas de violência no Brasil afirmam que a agressão ocorreu em casa

Cerca de 17% delas foram violentadas na rua; estudo do FBSP revela que os lares podem não ser mais um ambiente de proteção

Cidades|Isabelle Amaral, do R7

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Casos de violência contra a mulher seguem aumentando no Brasil
Casos de violência contra a mulher seguem aumentando no Brasil

Para mais de 50% das mulheres vítimas de violência no Brasil, a casa, que deveria ser um lugar de proteção, aconchego e liberdade, acaba sendo onde este público sofre um risco maior. Os dados, equivalentes ao ano de 2022, são da 4ª edição do estudo 'Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil', feito pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), divulgado nesta quinta-feira (2).

Em 2017, o mesmo estudo tinha um resultado diferente: 43,3% de mulheres responderam terem sido violentadas dentro de casa, o que representa um aumento de mais de 10 pontos percentuais se comparado com 2022.


Para a pesquisadora do FBSP e administradora pública Amanda Lagreca, diversos fatores influenciam neste aumento, como a pandemia da Covid-19, a queda de recursos contra a violência e a radicalização da política. “As discussões por política geraram um aumento de discursos de ódio, então acredito que tenha influenciado também neste índice”, afirmou a especialista em entrevista ao R7.

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A porcentagem de casos de violência dentro de casa é ainda maior do que na rua, que chega a 17,6%. “O local onde elas deveriam se sentir seguras é, na verdade, um ambiente de sofrimento”, menciona Lagreca. A mulher, que é mestranda em administração pública e governo pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), ainda ressalta o fato de que, hoje em dia, a sociedade está mais intolerante com a violência na rua e, quando alguém vê, tenta ajudar e intervir, o que não pode ocorrer quando a violência ocorre dentro de casa.


Na sequência deste ranking o que vem é a violência sofrida dentro do ambiente de trabalho, com 4,7% das brasileiras afirmando que já foram vítimas nesses espaços.

Dentre as principais violências sofridas, 32,6% (21 milhões) das entrevistadas ressaltam a psicológica, 24,5% (15,8 milhões) a física, 21,1% (13,6 milhões) a sexual. Além disso, fora este tipo de violência, têm aquelas que declaram serem impedidas de se comunicar com os amigos e familiares e ser forçada a ficar sozinha (12,9%), e há vítimas que tiveram o acesso a recursos básicos como assistência médica ou dinheiro negados.


Brasil tem mais de 50 mil casos de violência contra a mulher por dia

Outro fator de destaque no estudo é o número de 18,6 milhões de mulheres terem sofrido algum tipo de violência no último ano. Isso significa que, em 2022, 50.962 mulheres foram violentadas por dia, o equivalente a um estádio de futebol lotado.

Pesquisa revela que maioria dos casos de violência contra a mulher ocorre em casa
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Para Amanda Lagreca, trabalhar nesse cenário é “extremamente desafiador” e o necessário, primeiramente, é entender que qualquer mulher pode ser uma vítima, sem distinção de idade, rostos ou corpos. A especialista ressalta que a primeira coisa a se fazer pelos órgãos públicos é garantir o acolhimento e fortalecer as redes de apoio, “sejam elas por meio de assistências sociais, UBS (Unidade Básica de Saúde), escolas ou demais órgãos”, menciona.


Lagreca ainda diz que para que esses números diminuam e possa se combater melhor a violência contra a mulher, é necessário que o governo invista nos recursos necessários. “Política pública sem dinheiro não dá para ser implementada”, afirma. A administradora pública pontua também que “conectar melhor o poder judiciário e o executivo é muito importante para a realização de protocolos de atendimento que consiga dar conta da demanda alta”.

Quase metade das mulheres não fizeram nada em relação a agressão sofrida

Ainda segundo o estudo, 45% das mulheres que foram vítimas de violência não fizeram nenhum tipo de denúncia. Entre as justificativas, 38% das entrevistadas afirmaram terem resolvido sozinhas, 21,3% não acreditavam que a polícia pudesse oferecer solução e 14,4% disseram que não tinhas provas o suficiente.

Para 76,5% dessas vítimas, é necessário punir de forma mais severa aqueles que cometem violência doméstica, 72,4% acredita que dentre as ações consideradas importantes nesses casos, está o atendimento com um psicólogo, e 69,4% pede por serviços que orientem melhor a mulher sobre o que fazer após ser violentada.

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