"Multar não resolve nada", diz cadeirante que se arrastou para subir em avião em Foz do Iguaçu
Anac multou em cerca de R$ 230 mil a Gol e a Infraero por embarque irregular de cadeirante
Cidades|Caroline Apple, do R7

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) multou a Gol e a Infraero em quase R$ 230 mil por causa do caso da cadeirante que teve que se arrastar pelas escadas para embarcar em uma aeronave no aeroporto de Foz do Iguaçu, que não tinha o equipamento necessário para fazer o embarque, chamado ambulift [uma espécie de plataforma motorizada com elevação].
O caso aconteceu em dezembro de 2014 e ganhou destaque quando a foto da coordenadora de comunicação Katya Hemelrijk da Silva, de 39 anos, foi publicada em seu Facebook com um texto sobre o incidente.
Em entrevista ao R7, Katya afirmou que multar a companhia aérea e o órgão público não resolve o problema de atendimento à deficientes físicos.
— Eles [Anac] demoraram muito para tomar uma providência. Não é multando que o problema da falta de conscientização será resolvido.
A cadeirante diz que esperava que a Anac criasse regras de atendimento para as empresas que regula.
— A culpa de tudo isso é da agência que deveria criar regras de capacitação e monitorar às empresas para saber se o serviço está sendo devidamente prestado. Como podem achar que vão resolver alguma coisa multando? Quando desembarco em outros países, a responsabilidade é de quem regula todos os aeroportos do País, e não as companhias aéreas.
Para atestar a demora do retorno do caso por parte da Anac, Katya conta que a Gol tomou providências muito mais rápido, contratando uma empresa de inclusão para apontar possíveis falhas no atendimento.
— Quando eles precisam, me chamam para consultoria. É quando apontamos problemas desde o porão, onde é guardada as cadeiras, até a capacitação dos funcionários.
Em nota, a Gol afirmou que "lamenta o ocorrido" e que a companhia "realiza investimento significativos na questão da acessibilidade". Porém, sobre a autuação da Anac, a empresa diz não comentar autos de infração.
A Infraero, também por meio de nota, afirmou que aguarda a notificação da Anac para tomar "as devidas providências". O órgão diz que só a partir de 2015, a resolução 280/2013 da agência, passou a determinar que a administração do aeroporto deve oferecer o equipamento para embarque e desembarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, antes, responsabilidade das companhias aéreas. Para cumprir com essa exigência, a Infraero afirmou ter adquirido 15 ambulifts e que, inclusive, o aeroporto de Foz do Iguaçu, onde aconteceu o caso, tem uma unidade em operação desde o início do ano.
De acordo com nota divulgada pela Anac, a Gol e a Infraero terão 20 dias corridos para apresentar defesa, contados a partir do recebimento dos autos. A partir dessas informações, a Anac analisará a defesa e definirá o valor das multas.
Sem equipamento, passageira cadeirante se arrasta para conseguir embarcar em voo no PR













