‘Não há muito o que comemorar’, diz desembargadora sobre queda na taxa de homicídios
Ivana David defende aparelhamento tecnológico da polícia para esclarecer ‘cifras ocultas’ de assassinatos no país
Cidades|Do R7, com RECORD NEWS
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Em entrevista ao Link News, a desembargadora Ivana David, vice-presidente da Comissão de Segurança do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), diz que não há muito o que comemorar com a queda na taxa de homicídios no Brasil. De acordo com dados do último Atlas da Violência, o país registrou 42,6 mil casos em 2024, a menor quantidade em 11 anos. Dentre as vítimas, mais de 32 mil eram negras.
Se for levantado o que se chama de cifra oculta, as mortes de causa indeterminada, os números seriam ainda maiores. “Ao nosso sentir, muito ainda tem que se fazer para, no mínimo, o país ter uma taxa que a gente possa considerar normal. [...] Ao nosso olhar, é muito bom saber que os números foram diminuindo, mas ainda não existe qualquer motivo para se comemorar”, ressalta.

Segundo ela, parte desses casos sem identificação tem relação com a atuação de organizações criminosas e seus “tribunais do crime”. “A pessoa simplesmente desaparece. Desaparece porque as organizações criminosas têm suas metodologias cruéis de matar um indivíduo e literalmente desaparecer com o corpo.” Ivana aponta a cifra oculta como um dos grandes desafios para os sistemas de segurança e justiça, que comprometem a exatidão dos dados oficiais.
Há que se considerar ainda os altos números de desaparecidos, que, somente no estado de São Paulo, somam 45 mil pessoas. A desembargadora afirma que, ainda que as técnicas de investigação tenham avançado muito, inclusive no que diz respeito ao uso da ciência para a identificação de vítimas e criminosos, fatores como o tamanho do Brasil ainda se colocam como desafios do combate à violência.
“Existe homicídio que acontece no meio de uma mata ou numa região distante, onde não existe forma de se controlar essa situação, seja no sistema de segurança, seja no sistema de justiça ou até pelas organizações criminosas”, pondera. Ivana defende que situações como essas destacam a necessidade de se trabalhar pelo aparelhamento da polícia, “com tecnologia e melhor forma de comunicação”.
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