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‘O homem ainda vê a mulher como propriedade’, diz desembargadora sobre novo recorde de feminicídios

Ivana David analisa aumento de casos no Brasil em 2025; a cultura do machismo ainda influencia muito na perpetuação desse tipo de crime

Cidades|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Brasil registrou 1.470 feminicídios em 2025, com quatro mulheres assassinadas por dia.
  • O estado de São Paulo lidera o número de casos, segundo dados do Ministério da Justiça.
  • A desembargadora Ivana David aponta que a cultura do machismo contribui para a violência contra a mulher.
  • Nova lei tornou feminicídio um crime autônomo, mas ainda não reflete a realidade da violência no país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Quatro mulheres são assassinadas por dia no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, somando 1.470 feminicídios entre janeiro e dezembro de 2025. Os números superam os de 2024, se tornando o novo recorde do país. O estado de São Paulo lidera o ranking.

Para falar sobre o assunto, o Hora News desta quarta-feira (21) recebeu a desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Ivana David. Ela diz que esse é um desafio enfrentado não apenas no sistema de segurança, mas também no sistema de Justiça.


“No finalzinho do ano passado foi sancionada uma lei que tirou o feminicídio como uma qualificadora do crime de homicídio e passou a ser um crime autônomo, um crime independente que tem pena mínima de 20 anos e máxima de 40 anos de reclusão. Mas mesmo assim, o que a gente percebe pelos números, e ouso dizer que esses números nem são os números que refletem a realidade do nosso país diante de muitos dados que se perdem ou, pior, dados que vão se modificando”, analisa.

Ivana David diz que o feminicídio é um desafio enfrentado não apenas no sistema de segurança, mas também no sistema de Justiça Reprodução/Record News

Ivana também traz exemplos que comprovam que os dados que temos não refletem a realidade e o problema enfrentado é ainda maior: “Em 2023 nós tivemos 250 mil ocorrências envolvendo não só o homicídio, mas lesão grave, perseguição, todas as outras condutas criminosas, sempre envolvendo a figura da mulher, e ela se tornando vítima exatamente porque é uma mulher. Ou seja, esses números que a gente tem, e são números que chamam a nossa atenção e todo ano aumentam, não representam a realidade do que o país tem hoje”, avalia.


A especialista revela que a cultura do machismo ainda influencia muito na perpetuação desse tipo de violência. “O homem ainda vê a mulher como propriedade, como um objeto”, diz Ivana.

Diante de dados tão alarmantes e uma realidade que pode ser ainda pior do que revelam as estatísticas, a desembargadora aponta que só há um caminho para melhora: a educação.


“O que chama a nossa atenção é que todo homem, esse que pratica conduta criminosa, ele teve uma mãe. E por isso que quando a gente vai debater quais seriam os caminhos, como é que nós vamos mudar essa situação, sem sombra de dúvidas o começo de tudo isso é educação. É educação, é impor valores, é impor valores de igualdade entre um homem e uma mulher e essa igualdade começa desde criança”, defende.

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