O que é o Césio-137? Entenda o elemento radioativo da tragédia em Goiânia
Isótopo causou a morte de quatro pessoas e afetou a saúde de centenas de sobreviventes
Cidades|Rodrigo Paulino*, do R7
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Em setembro de 1987, Goiânia, capital de Goiás, foi palco do maior acidente radiológico do Brasil, quando centenas de pessoas entraram em contato direto e indireto com Césio-137, um isótopo radioativo utilizado principalmente na radioterapia.
Dias após o contato inicial, o Césio-137 já havia se espalhado por pelo menos sete pontos da cidade, tanto em pessoas da região quanto no próprio ambiente, segundo o governo de Goiás.
As pessoas que entraram em contato direto com o isótopo apresentaram, logo nos primeiros dias, sintomas como náuseas, vômitos, tontura, diarreia e lesões similares a queimaduras na pele.
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A tragédia deixou 4 mortos oficiais, mas centenas de pessoas desenvolveram síndromes e problemas de saúde como consequência do contato com a radiação.
O que é Césio-137
O Césio-137 é um isótopo radioativo artificial produzido em reatores nucleares ou como produto de testes de armas nucleares, a partir da fissão nuclear.
Ele é naturalmente líquido, mas se liga facilmente com cloretos e forma um pó cristalino azul que emite um forte brilho. Nesse estado, ele se comporta de forma similar ao sal de cozinha, dissolvendo-se na água e no solo.
O isótopo demora cerca de 33 anos para se decompor e emite partículas beta e gama, que são extremamente nocivas à saúde.
Para que o Césio-137 é usado?
O Césio-137 é utilizado principalmente em máquinas de radioterapia para tratar pacientes com câncer, mas também é amplamente utilizado em medidores industriais para detectar a passagem de líquidos e medir a espessura de objetos como papel e placas de metal, por exemplo.
Em quantidades menores, o Césio-137 é utilizado para calibrar contadores de Geiger, aparelhos que detectam os níveis de radiação do ambiente.
Como a radiação afeta o corpo humano?
O contato com a radiação pode causar queimaduras na pele e problemas de saúde como a SAR (Síndrome Aguda da Radiação), uma doença grave que ataca principalmente a pele, o sistema gastrointestinal e a produção de células sanguíneas, que pode causar vômitos, náuseas, diarreia, hemorragias e, em casos mais avançados, a falência de medula óssea.
Por conta da grande liberação de partículas gama, tanto o contato direto quanto o indireto com altas quantidades de radiação podem aumentar o risco de câncer em pessoas contaminadas.
Os quatro óbitos decorrentes do acidente em Goiânia ocorreram cerca de quatro a cinco semanas após a exposição, devido a complicações causadas pela SAR.
*Estagiário do R7, sob supervisão de Guilherme Fagundes.
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