Cidades Ônibus queimados e ataques completam uma semana no Ceará

Ônibus queimados e ataques completam uma semana no Ceará

Além de homens da Força Nacional, estado recebe policiais do Piauí e Pernambuco e de Santa Catarina. No total, são 185 ataques e 215 presos

Após uma semana de ataques, Ceará aguarda a chegada da mais policiais militares

Após uma semana de ataques, Ceará aguarda a chegada da mais policiais militares

João Dijorge/Photopress/Estadão Conteúdo - 08.01.2019

A crise na segurança pública no estado do Ceará completa uma semana nesta quarta-feira (9) com ônibus incendiados, prédios públicos atacados, explosões em pontes e destruição de equipamentos rurais, como kits de irrigação necessários às populações afetadas pela seca, destruídos. O clima de insegurança e terror fez a administração municipal de Fortaleza marcar para a manhã de hoje uma reunião para definir quais as medidas emergenciais adotadas para resgasdar a população, os serviços públicos e reduzir o clima de tensão. 

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De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa do Ceará, na terça-feira (8), chegaram ao estado cerca de 20 policiais militares do Piauí e dois policiais do setor de inteligência de Santa Catarina para reforçar as equipes já presentes no estado. O governo aguarda a chegada de mais 20 policiais militares de Pernambuco.

Além disso, na sexta-feira (4), chegaram ao território cearense 300 homens das Forças Armadas e 100 policiais militares da Bahia. Segundo o governo, até a manhã desta quarta-feira (9), 215 pessoas foram presas e 21 líderes de organizações criminosas que estavam em presídios estaduais foram transferidos para penitenciárias federais.

Entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira, mais cinco ataques foram registrados, totalizando 185 nos últimos oito dias, na maior onda de violência e crimes em série que o Ceará já viveu.

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Incêndio

Um incêndio destruiu cerca de 100 kits de irrigação que estavam em um depósito do órgão federal Dnocs (Departamento Nacional de Obras de Combate às Secas) em Marco, município localizado a 223 quilômetros da capital. Fiscais foram até o local para avaliar os prejuízos do ataque.

O galpão que pegou fogo possuía equipamento para auxiliar cerca de 100 produtores rurais que se desenvolvem no Perímetro Irrigado do Baixo Acarau. "Foi um incêndio de grande proporções que deixou um enorme prejuízo", afirmou Roberto Cadengue, gerente executivo. 

A região sofre com os efeitos da seca desde 2013. "Os kits serviriam para ampliar as áreas para produção", afirma. Um dos produtores afirmou que após o ataque há um clima de medo e tensão. "Hoje, a cidade e a região norte está tomada por facções", disse.

Na madrugada de sábado (5) para domingo (6), outros cinco ataques foram registrados na subestação energética, em um posto de saúde e um galpão da prefeitura. A segurança local foi reforçada por vigias, porém, os produtores rurais também estão apreensivos. "É uma situação de calamidade", diz Cadengue.

Ataques

Os ataques a ônibus e a prédios públicos tiveram início após a declaração do novo secretário de Administração Penitenciária do Estado, Luís Mauro Albuquerque, que não reconhece facções criminosas no Ceará. Ele confirmou que a divisão de presos por unidades não irá mais obedecer a distribuição por vínculos com organizações criminosas.

O governador Camilo Santana, que assumiu na terça-feira (1°) o segundo mandato para o qual foi reeleito em outubro de 2018, havia dito em janeiro do ano passado que, das 441 mortes registradas nos primeiros 29 dias de 2018, 84% eram vinculadas às facções criminosas. O principal grupo criminoso do Ceará é o GDE (Guardiões do Estado) que atua junto ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Além desses, há grupos da facção CV (Comando Vermelho) no estado.

A crise na segurança pública também teria sido motivada apreeensão de 400 celulares em presídios do estado. Os aparelhos teriam facilitado as ordens para rebeliões. Desde a quarta-feira (2), foram registrados cerca de 100 ataques em todo o Estado. Em represália, as autoridades responsáveis cancelaram visitas nos presídios e retiraram televisões.

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