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Para especialistas, erro do IPEA é primário; instituto descarta refazer pesquisa 

Economista da FGV acredita que credibilidade do órgão ficará abalada com o episódio

Cidades|Ivan Martínez, especial para o R7

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Erro do Ipea gerou brincadeiras na internet
Erro do Ipea gerou brincadeiras na internet

Depois de ter admitido que a pesquisa sobre percepção da violência contra a mulher divulgada na semana passada continha erros, o Ipea nega que o estudo precise ser refeito. Nesta quinta-feira (3), o R7 publicou matéria em que especialistas criticam a metodologia do estudo.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (4), o Ipea afirma que trocou os resultados de dois pares de respostas do levantamento. Inicialmente, o instituto havia divulgado que 65% dos entrevistados concordavam com a afirmação de que mulheres com roupas que mostram o corpo mereciam ser atacadas. Na verdade, esse é o percentual de concordância com a frase “Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”. O correto é que 26% dos entrevistados concordam com a primeira afirmação, que havia gerado polêmica nas redes sociais.


Foram invertidos também os resultados das frases “o que acontece com o casal em casa não interessa aos outros” e “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”.

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Para o economista Marcos Fernandes, da Fundação Getúlio Vargas, um dos críticos da metodologia do levantamento realizado pelo Ipea, a credibilidade do instituto fica abalada com o erro.


— Um estudo assim tem que ter base científica para evitar erros graves desse tipo. Tem que ter gente competente e rigor científico.

Segundo ele, no meio acadêmico, existe uma série de etapas que tem que ser seguidas para que não ocorra a divulgação de dados errados.


— A leitura das informações por outros pesquisadores sem o envolvimento direto na pesquisa é uma delas. É uma etapa básica.

Para o também economista Adolfo Sachsida, é importante que o Ipea tenha admitido erros, mas defende que a correção foi insuficiente.

— Equívocos desse tipo não são comuns, mas ter reconhecido que errou não muda o fato: a pesquisa continua mal feita e deveria ser realizada seguindo outros métodos mais fieis à realidade. Os erros são primários.

Ipea

De acordo com Sergei Soares, chefe de gabinete do Ipea, foram erros na última etapa da pesquisa. Para ele, o problema não desmerece o trabalho.

— O restante das informações está correto e os erros não invalidam o levantamento. Por isso, não julgamos necessário refazer a pesquisa.

Quanto às críticas à metodologia do estudo, Soares afirmou que, para evitar eventuais distorções nos resultados, foram realizadas também entrevistas fora do horário comercial, inclusive em sábados, domingos e feriados. Segundo ele, pesquisas não domiciliares são pouco precisas e por isso o Ipea não segue esse método.

— As entrevistas em domicílio de fato geram uma concentração maior de mulheres e idosos no levantamento. Discutimos os problemas e as virtudes de se usar metodologias para ponderar as pesquisas, mas concluímos que não era a melhor solução. Não é trivial escolher entre as diversas opções.

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