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PF faz operação contra organização criminosa suspeita de fraudes bilionárias com criptomoedas

Segundo investigação, a movimentação pode chegar a R$ 4 bilhões só no Brasil. São cumpridos 20 mandados de busca e apreensão

Cidades|Do R7

Ouro, dinheiro e objetos de luxo apreendidos durante cumprimento de mandado judicial
Ouro, dinheiro e objetos de luxo apreendidos durante cumprimento de mandado judicial Ouro, dinheiro e objetos de luxo apreendidos durante cumprimento de mandado judicial

A PF (Polícia Federal) realiza, na manhã desta quinta-feira (6), a Operação Poyais para apurar crimes contra a economia popular e o sistema financeiro nacional, como estelionato, lavagem transnacional de dinheiro e organização criminosa.

Cerca de 100 policiais federais e servidores da Receita Federal cumprem 20 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela 23ª Vara Federal de Curitiba (PR). Houve ainda o sequestro de imóveis e bloqueio de valores.

As ordens judiciais são cumpridas nas cidades de Curitiba e São José dos Pinhais (PR), Governador Celso Ramos (SC), Barueri e São José do Rio Preto (SP) e Angra dos Reis (RJ).

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As investigações tiveram início em março de 2022 após recebimento, por meio da Interpol, de informações e cooperação internacional da HSI (Homeland Security Investigations), da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

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Em janeiro, a agência norte-americana informou à polícia que uma empresa internacional com atuação nos Estados Unidos e o principal gerenciador, um brasileiro morador de Curitiba, estavam sendo investigados pela Força Tarefa de El Dorado, da HSI de Nova York, por envolvimento em conspiração multimilionária de lavagem de capitais a partir de um esquema de pirâmide de investimentos em criptoativos.

Diligências iniciais revelaram que o brasileiro possuía mais de 100 empresas abertas no país e, através de um grupo empresarial, estaria lesando investidores não só no exterior, mas também em território nacional.

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No Brasil, foi constatado que o investigado conseguiu iludir milhares de vítimas que acreditavam nos serviços por ele prometidos através de empresas, como aluguel de criptoativos com pagamento de remunerações mensais que poderiam alcançar até 20% do capital investido.

"Alegando vasta experiência no mercado de tecnologia e criptoativos, o investigado levava a erro seus clientes informando possuir grande equipe de traders que realizariam operações de investimento com as criptomoedas alugadas e, assim, gerariam lucro para suportar o pagamento dos rendimentos", informou a PF.

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Policiais cumprem mais de 20 mandados judiciais em cidades de quatro estados
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Investigação

Segundo a PF, o investigado constituiu uma organização criminosa, com membros da família que eram funcionários das empresas, para se apropriar de valores investidos, tanto em reais quanto em criptomoedas, pelas vítimas da fraude.

Outra estratégia era a criação de criptomoedas próprias, que eram comercializadas pelas empresas, e garantiam pagamento de retornos mensais extravagantes. Mas os criptoativos não possuíam lastro e não tinham liquidez no mercado.

Os recursos dos clientes eram usados para pagamento das remunerações mensais e o restante era empregado na aquisição de imóveis de alto valor, carros de luxo, embarcações, reformas, roupas de grife, joias e viagens.

Com o tempo, a organização criminosa passou a atrasar e deixar de pagar as remunerações mensais contratadas pelos clientes e bloqueou os pedidos de saques. Diligências revelaram que o grupo movimentou, no Brasil, cerca de R$ 4 bilhões pelo sistema bancário oficial.

O nome da Operação Poyais faz referência à grande fraude cometida na Inglaterra, no século 19, por um soldado escocês que enriqueceu vendendo títulos, por meio de uma campanha publicitária, de um país que nunca existiu.

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