Polícia do Ceará justifica prisão temporária de suspeita da morte de italiana
De acordo com Polícia Civil, farmacêutica não quis ligar para a mãe depois da prisão
Cidades|Da Agência Brasil, com Estadão Conteúdo

Em entrevista coletiva na tarde de segunda-feira (5), em Fortaleza, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou os motivos da prisão temporária da farmacêutica Mirian França de Mello, de 31 anos. Mirian é suspeita pela Polícia Civil do Ceará de envolvimento na morte da turista italiana Gaia Molinari, na Praia de Jericoacoara, no fim de dezembro.
De acordo com a delegada responsável pela investigação, Patrícia Bezerra, o retorno de Mirian para o Rio de Janeiro “inviabilizaria a continuidade das investigações”. A farmacêutica estava com a volta programada para o dia 29 de dezembro, o mesmo dia em que foi presa. A delegada também justificou a prisão com o comportamento da suspeita durante os depoimentos.
— O que eu posso dizer é que a Mirian mentiu várias vezes ao longo dos seus dois depoimentos. Ela foi submetida a acareação com outras pessoas em Jericoacoara e as afirmações que ela prestou em um primeiro momento não se sustentaram. Ela não soube explicar a razão dessas mentiras.
A delegada e o secretário de Segurança, Delci Carlos Teixeira, rebateram as declarações do advogado de Mirian, Humberto Adami, que disse que a moça estaria incomunicável, sem poder falar com a família. Ambos disseram que Mirian, ao ser presa, teve o direito de ligar para a mãe, mas não quis fazê-lo. De acordo com a delegada, Miriam pediu para verificar dois nomes da agenda, de um amigo e da orientadora do seu doutorado.
— Ela não quis telefonar para a mãe e a Polícia Judiciária não tem ingerência sobre para quem a presa vai telefonar ou não.
Teixeira explicou ainda que entrou em contato com a Secretaria de Direitos Humanos do Rio de Janeiro hoje e acertaram um horário para que Mirian pudesse conversar com a mãe. Segundo ele, essa conversa ainda não ocorreu porque Adami convocou uma coletiva à imprensa no mesmo horário.
Patrícia explicou ainda que Mirian está em uma cela separada dos demais presos, como diz a lei, e que a prisão temporária tem duração de 30 dias, prorrogáveis por mais 30. A polícia cearense aguarda para até o dia 15 de janeiro o resultado de exames de DNA e toxicológico da vítima, para auxiliar nas investigações. Não foi encontrado, no entanto, indícios de sêmen no corpo de Gaia, o que afasta, a princípio, a possibilidade de violência sexual por parte de um homem.
Em relação às investigações, as autoridades policiais informaram que cerca de 15 pessoas já prestaram depoimentos e que foram realizadas acareações, nas quais Miriam caiu em contradição. A delegada disse ainda que novas diligências serão realizadas em Jericoacoara e que poderá ser realizada uma reprodução simulada do crime.
Gaia chegou a Fortaleza no dia 16 de dezembro e estava hospedada no centro da cidade. Ela viajou até Jericoacoara no último dia 21 e deveria ter retornado no dia 24. O seu corpo foi localizado no dia 25, por volta das 15h.
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