Promotor diz que réus participaram de farsa na morte de PC Farias e volta a pedir condenação
Marcos Mousinho disse que talvez nunca seja possível saber que é autor do crime
Cidades|Do R7, com Rede Record

O promotor Marcos Mousinho foi o primeiro a ser ouvido nesta sexta-feira (10) durante o julgamento dos quatro envolvidos na morte do empresário PC Farias, e da namorada, Suzana Marcolino, no Fórum de Maceió (AL). Ele afirmou que os réus participaram de uma farsa para esconder o duplo homicídio cometido em 23 de junho de 1996.
Mousinho falou por duas horas e voltou a pedir a condenação dos acusados alegando que eles tinham o dever de proteger a vida do casal por serem seguranças, mas não cumpriram com a função por estarem cientes que as mortes iriam acontecer.
— Se não fossem esses homens, que eram seguranças e deviam resguardar a vida das vítimas, nós não estaríamos aqui. Se os senhores disserem que houve duplo homicídio, devem ser responsabilizados porque participaram de uma farsa montada para provar que foi suicídio quando tinham obrigação legal de impedir que as vítimas fossem assassinadas.
Após o depoimento de Mousinho, o advogado dos réus, José Fragoso, passou a ser ouvido. Ele começou falando que o relacionamento entre Suzana e PC passava por uma crise, por isso ela decidiu comprar uma arma.
O julgamento está previsto para terminar nesta quinta-feira. Segundo o Tribunal de Justiça de Alagoas, a juiz Maurício Brêda decidiu que defesa e acusação terão duas horas e meia, cada uma, durante os debates. Em seguida, poderá haver mais duas horas de réplica e outras duas de tréplica. Após essas nove horas, caso todo o tempo seja usado, é que os sete membros do conselho de sentença vão se reunir para responder as perguntas feitas pelo magistrado. Eles decidirão se os quatro policiais militares que faziam a segurança do empresário têm culpa nas mortes.
A tese sustentada pela acusação é de que a mando de alguém da família Farias, os seguranças permitiram que o assassino chegasse até a casa de veraneio de PC, na praia de Guaxuma, em Maceió. O casal foi encontrado morto a tiros no quarto, em junho de 1996.
O advogado dos quatro PMs defende que Suzana Marcolino matou o namorado e suicidou-se após uma briga. Ele se baseia em um laudo do legista Fortunato Badan Palhares, que foi contestado por outros peritos.
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O caso
PC Farias e Suzana Marcolino foram encontrados mortos na manhã do dia 23 de junho de 1996, na casa de praia do empresário, localizada no bairro de Guaxuma, litoral norte de Maceió. As circunstâncias do crime até hoje deixam dúvidas. Para a polícia alagoana, Suzana matou o namorado e depois cometeu suicídio. Esta é a mesma tese do advogado José Fragoso, responsável pela defesa dos quatro policiais levados a júri popular. A jornalista Ana Luíza Marcolino, irmã de Suzana, rebateu a tese de crime passional e falou em uma "força" para que o caso não seja esclarecido.
Collor
Paulo César Farias foi o tesoureiro de campanha do então candidato Fernando Collor à Presidência da República. Em novembro de 1993, PC Farias - que teve a prisão preventiva decretada por crime de sonegação fiscal -, foi preso na Tailândia, para onde fugira, e transferido para o Brasil. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a sete anos de prisão, o empresário acabaria cumprindo parte da pena no quartel do Corpo de Bombeiros de Maceió, até ganhar a liberdade condicional. O duplo assassinato ocorreria seis meses após o empresário sair da prisão.















