Morre o jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, no Rio, aos 85 anos
Ele fundou o jornal Movimento durante a ditadura militar
Rio de Janeiro|Do Estadão Conteúdo

Morreu na manhã deste sábado (2), no Rio de Janeiro, o jornalista pernambucano Raimundo Rodrigues Pereira, aos 85 anos. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira de Imprensa e não há detalhes da causa. Ele seria cremado ainda neste sábado.
Referência no jornalismo independente, Raimundo fundou o jornal Movimento durante a ditadura militar, quando ficou conhecido por ser um dos líderes no movimento de resistência democrática.
Segundo a ABI, “o veículo assumiu papel decisivo na denúncia das arbitrariedades do regime e na construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia”.
A resistência política de Raimundo está presente em sua história de vida.
Ele foi preso durante a ditadura enquanto cursava engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São Paulo — alvo de perseguição ideológica por um jornal que circulava entre os estudantes.
Após ser solto, formou-se em física pela Universidade de São Paulo (USP) e atuou como jornalista em revistas técnicas até alcançar a grande imprensa, passando por veículos como a revista Realidade e o jornal O Estado de S. Paulo.
Legado de resistência
Raimundo se destacou pela qualidade de suas reportagens e pela profundidade de suas análises.
O jornal Movimento teve mais de 300 edições semanais, mas, por conta da repressão, sofria censura e passava por dificuldades financeiras. Segundo a ABI, em várias edições, os espaços em branco denunciavam a violência do regime contra a liberdade de imprensa.
Marcelo Auler, conselheiro da associação, falou sobre o legado deixado pelo jornalista: “Raimundo Rodrigues Pereira foi um guerreiro e empreendedor da informação, do jornalismo, mas acima de tudo da Democracia, com “D” maiúsculo. É uma grande perda para todos os jornalistas, mas também para o Brasil democrático”.















