RS vê chance remota, mas tem 427 aviões agrícolas contra gafanhotos

Frente fria afasta possibilidade de entrada no Brasil. Nuvem, que se dividiu em duas na Argentina, é assunto recorrente nas rodas de chimarrão 

Mesmo com possibilidade mínima, gaúchos temem a chegada dos gafanhotos

Mesmo com possibilidade mínima, gaúchos temem a chegada dos gafanhotos

Reprodução/Pexels

A notícia de que uma imensa nuvem de gafanhotos poderia chegar no país, ao entrar pelo Rio Grande do Sul, deixou algumas cidades, como Barra do Quaraí, Uruguaiana e Alegrete, na fronteira oeste do estado, em alerta.

Por isso, o SINDAG (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola) colocou à disposição das autoridades os 427 aviões pulverizadores existentes no estado gaúcho caso seja necessário dispersar a nuvem de gafanhotos com inseticidas.

O deslocamento da nuvem de gafanhotos é influenciado pela direção dos ventos e a ocorrência de altas temperaturas. Apesar de uma frente fria ter entrado no estado gaúcho nesta quinta-feira (26), trazendo fortes ventos e chuva, e distanciando a possibilidade de entrada pela fronteira, agricultores e moradores ainda temem a chegada dos insetos.

A administração da Estância Pai Passo, em Barra do Quaraí, afirma que os fazendeiros da região ainda se preocupam com a possibilidade de precisar combater a praga. Ainda segundo a administração, esta época do ano é muito importante para as pastagens de gado na região e nenhuma orientação de enfretamento prático foi dada pelas autoridades locais ou estaduais.

Mesmo quem não tem terras se preocupa com o fenômeno dos gafanhotos. “Olha, dá medo isso aí. Assim como mudou o tempo e eles foram lá para o Uruguai dá para mudar de novo e eles voltarem para cá, né?”, afirmou Pedro Lopes, morador de Uruguaiana.

Ele ainda diz que o tema tem sido muito discutido nas rodas de chimarrão e que, apesar do medo, o assunto também virou brincadeira entre os grupos locais. Nas rede sociais, gaúchos de todas as partes do estado temem o fenômeno, que em meio à Pandemia, ganhou ares de fim do mundo.

Mas será que ainda existe essa possibilidade? Autoridades e especialistas ouvidos pela reportagem do R7 afirmam que a chance é mínima. 

Não seria a 1ª vez

Há registros que nas décadas de 30 e 40 outras nuvens passaram pelo estado acabando com plantações inteiras. Especialmente em 1947, a cidade Pelotas enfrentou uma crise fitossanitária e precisou se adaptar para combater a praga.

De acordo com professor de Entomologia do Departamento de Fitossanidade da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), Uemerson Silva da Cunha, o estado tem condições técnicas para enfrentar o problema de maneira eficaz. Mas na opinião do especialista, a chance real de precisar usá-las é muito pequena.

Monitoramento em tempo real

As autoridades argentinas monitoram os gafanhotos em tempo real. A última movimentação da nuvem ocorreu na quarta-feira (24) perto da região de Corrientes, na Argentina. Provavelmente por causa das condições climáticas rigorosas, a nuvem acabou se dividindo em duas e se estabilizou na região.

Como inúmeros fatores influenciam a sobrevivência e a direção dos insetos, o monitoramento acaba sendo a principal arma dos governos neste momento. “Apesar das condições climáticas favoráveis (frio e vento sudoeste), ainda existe o risco e permanecemos em alerta”, destaca o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Seapdr, Ricardo Felicetti.

Plano de enfrentamento oficial

Nesta quinta-feira (26), a publicação da portaria 201 pelo o Ministério da Agricultura, que decreta estado de emergência fitossanitária nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, garante que medidas rápidas de enfretamento aos gafanhotos sejam tomadas pelas autoridades locais como, por exemplo, o uso de inseticidas normalmente não utilizados no combate deste inseto no país. A portaria tem validade de um ano.

Até o momento, fiscais da Secretaria Estadual de Agricultura inspecionaram a linha de fronteira e visitaram prefeitos e secretários dos municípios de São Nicolau, Porto Mauá, Alecrim Pirapó, Itaqui, Alegrete, São Borja e Porto Xavier.Todos localizados às margens do rio Uruguai.

A orientação do governo do estado é, se algum produtor identificar a presença dos insetos em grande quantidade, informar imediatamente a inspetoria de defesa agropecuária da sua localidade.