Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño, aponta estudo
Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com fenômeno, em 2024, segundo MapBiomas
Cidades|Da Agência Brasil
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mais de um terço (38%) das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo MapBiomas. Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno.
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alteração na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuvas irregulares. Na Amazônia, ele causa seca e aumento na temperatura.
Leia Mais
Diante da previsão meteorológica de que o fenônemo será especialmente forte neste ano — um “Super El Niño” —, os pesquisadores cruzaram dados sobre a chuva e a superfície de água sobre a terra para mostrar como a Amazônia foi afetada na última ocorrência do evento climático.
No período entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica dos anos de 1985 a 2025. O volume de chuva também foi inferior, ficando 27% abaixo da média.
A temperatura máxima média durante esses três meses também teve uma alta significativa, 2,6°C acima do que é historicamente observado no mesmo período.
“Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, aponta o pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), Bruno Ferreira, da equipe da Amazônia do MapBiomas.
Populações
O estudo também observou os efeitos do fenômeno sobre diferentes tipos de ocupação humana, como núcleos urbanos, rurais, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e outras categorias.
De acordo com os pesquisadores, as populações desses lugares foram fortemente atingidas pelos efeitos do El Niño, já que 93% dos locais analisados, 5.273 localidades, ficam a uma distância de até 5 quilômetros das áreas que sofreram redução da superfície de água, aponta o estudo.
“A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, destaca Bruno Ferreira.
Os dados de cobertura e uso da terra complementam os fatores de exposição do bioma, já que ao longo dos 41 anos da série histórica do estudo sobre o tema, foram perdidos 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 14% da cobertura verde existente anteriormente.
No estudo, além dos dados da Coleção 11 do Mapbiomas sobre Cobertura e Uso da Terra, os pesquisadores trabalharam com a Coleção 5 sobre Água, e a coleção beta sobre Atmosfera. Também foram usados dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre as áreas habitadas e informações do Painel El Niño, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp
















