Seis policiais são presos sob suspeita de participação em chacina, em Londrina
Justiça também expediu mandados contra outros sete PMs para condução coercitiva
Cidades|Do R7
Seis policiais militares foram presos temporariamente nesta sexta-feira (13), acusados de participação de uma milícia armada com atuação em Londrina, no interior do Paraná. A Justiça também expediu mandados contra outros sete PMs para condução coercitiva, quando são obrigados a depôr, dentre eles o ex-porta-voz do 5º Batalhão de Polícia, capitão Ricardo Eguedis.
Os envolvidos serão indiciados por homicídio qualificado e fraude processual. Um empresário também foi detido acusado de fornecer armas para o grupo. Outros dois soldados foram presos e indiciados por porte de munição ilegal, pagaram fiança e foram liberados.
Em janeiro, o grupo teria participado de uma série de assassinatos em Londrina. Na noite do dia 29, 12 pessoas foram executadas e outras 14, feridas. Os crimes seriam uma retaliação a morte do soldado Cristiano Bottino, morto enquanto dirigia a caminho de casa. A onda de mortes chegou a gerar até um toque de recolher na cidade.
A Polícia Civil descobriu que a milícia agia de forma organizada. Enquanto um grupo participava das execuções, outro fardado recolhia munições e adulterava as cenas dos crimes. Em uma casa onde quatro pessoas foram assassinadas, o circuito de câmeras de segurança foi danificado.
De acordo com os investigadores, as prisões são sustentadas com vasto material probatório, como vídeos e áudios. A quantidade de depoimentos coletada não foi divulgada pela Secretaria de Segurança Pública, pontuou o secretário Wagner Mesquita.
— São provas contundentes de participação dos indivíduos presos hoje.
A polícia também acredita que policiais tenham forjado outras cenas de crime, relatou o delegado-geral da Polícia Civil, Julio Reis.
— Em 12 de março, após o comunicado de um confronto ocorrido entre PM e o autor de furtos em chácaras, na zona norte da cidade, foi constatado que a arma que supostamente o indivíduo usou teria sido plantada por aquela equipe policial que foi atender o chamado.
Penas administrativas
Os seis policiais acusados de envolvimento direto na milícia foram encaminhados a um batalhão do Corpo de Bombeiros. Além de serem indiciados criminalmente por homicídio qualificado e fraude processual, eles vão responder a processos administrativos, cuja punição pode resultar em expulsão da corporação, declarou o comandante-geral da PM, coronel Maurício Tortato.
— Não existe nenhuma condescendência em relação a atos que não sejam pautados pela atuação legítima daquilo que nossos policiais se propõem a fazer, que é a proteção à sociedade.
Wagner Mesquita complementou.
— Cada prisão de policial gera uma cicatriz na segurança pública como um todo. Somente corrigindo os erros que acontecem podemos justificar e dar apoio aos bons policiais.
Protestos
A entrevista do alto escalão do setor de segurança pública estadual foi marcada por protestos. Familiares de vítimas da chacina foram ao local cobrar explicações. Paulo Cesar de Oliveira, umas das 14 pessoas baleadas naquela noite, carrega no corpo as marcas da violência.
— Quero que a Justiça seja feita contra eles também.
O jovem tem cicatrizes na cabeça, pescoço e abdôme. Ele ficou 50 dias internado, recuperando-se das lesões, sendo uma semana em coma na UTI. Ele perdeu parte dos movimentos do braço direito e da perna direita.
Do outro lado da cidade, colegas dos policiais presos também protestaram. Com camisetas pretas, eles bateram palmas quando o ônibus que transportava os PMs saiu do 5º Batalhão.
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