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Sem ver assassinos do filho condenados, mãe ajuda outras famílias de vítimas a lutar por justiça

Dezoito anos depois do crime, Valquíria não superou a perda; ela também atua como jurada 

Cidades|Ana Cláudia Barros, do R7

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Mãe criou página para homenagear filho; jovem foi morto em 1996 e policiais acusados acabaram absolvidos
Mãe criou página para homenagear filho; jovem foi morto em 1996 e policiais acusados acabaram absolvidos

A cada ano que passava, diminuía em Valquíria Marques a convicção de que os responsáveis pela morte do filho, o adolescente Wagner Marques dos Santos, seriam punidos. Mas o desejo de lutar jamais arrefeceu. Ela se juntou ao grupo Justiça é o que se busca, uma organização sem fins políticos e financeiros, formada, sobretudo, por familiares de vítimas de violência. Hoje, Valquíria persegue a justiça que não teve a oportunidade de experimentar.

— A gente se sente bem. É uma coisa importante você dar o que tem de si. Faz 18 anos que perdi o Wagner. Eu ali sou a mais velha. Não tem caso mais velho do que o meu. Eu olho para aquelas mães e, às vezes, vejo-as brincando. Eu não brinquei, eu não sorri, eu não participei de festa de Natal. Meu primeiro Natal depois de 17 anos foi agora, porque meus netos estão maiores. Prejudiquei minha filha, tadinha.

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Na percepção dela, a falta de uma exposição maior do caso de Wagner na imprensa influenciou no desfecho. Além de integrar o grupo, a aposentada já participou de vários júris.

— Por causa da minha exposição atrás da polícia, na favela, minha irmã me tirou do Jabaquara e me levou para São Bernardo [no ABC paulista]. Ali, fui trabalhar com umas advogadas, servindo café. Fiquei tão entretida com aquilo que elas me pegavam olhando processo [...] Elas notaram que eu estava muito interessada e já comecei a ir para o fórum, protocolar e fui me interessando. Aí, houve o crime dos meninos do Montanhão, em São Bernardo. Policiais assassinaram seis garotos. Um ficou vivo. E como eu morava colada ao fórum, saía de onde estava trabalhando e ia assistir ao julgamento. E eu gostei. Voltei para o Jabaquara e me inscrevi no Fórum da Barra Funda.

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Questionada sobre o que significa para ela atuar como jurada, ela revela que se sente, de certa forma, participando do júri dos acusados de matar o filho.

— A sua não foi feita, mas você procura fazer justiça com outra. Vou neutra. Vou por justiça.

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Confira o especial que traça um raio-x da impunidade no Brasil: Invisíveis

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