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'Sistema foi feito para que pobre e negro não tenham direito à Justiça', desabafa mãe de gari morto em 2006

Débora da Silva vê como um problema a dependência de testemunhas para a argumentação 

Cidades|Mariana Queen Nwabasili, do R7


Débora, 55 anos, com a foto do filho Édson Rogério Santos, 29 anos, morto em 2006
Débora, 55 anos, com a foto do filho Édson Rogério Santos, 29 anos, morto em 2006

Após o desgaste com o arquivamento do inquérito sobre a morte de seu filho, Débora Maria da Silva, dona de casa de 55 anos, vê como um problema a dependência de testemunhas para a criação de argumentos que levem à identificação dos culpados. O gari Édson Rogério Santos, 29 anos, foi morto em 2006 em suposta ação de policiais durante onda de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo.

Apesar de não ser especialista, o tempo dedicado a investigações fez com que ela se tornasse crítica quanto às restrições das investigações policiais e dos procedimentos jurídicos.

— Eu acho que tem de mudar, ter uma reforma emergencial no setor jurídico, porque nós já estamos no século 21 e o Judiciário ainda trabalha com a parte humana, sabendo que a parte humana pode ter um fim fatal dependendo do que falar. Então, acho que é um sistema que não tem condições mesmo de funcionar, foi feito para não funcionar e para que o pobre e o negro não tenham direito a uma Justiça. Que tenham esse medo velado de falar sobre crimes, medo de morrer.

Já Vera Lúcia dos Santos, manicure de 50 anos e mãe de Ana Paula Gonzaga, assassinada às vésperas de dar à luz por supostos membros de grupo de extermínio composto por policiais, indigna-se com o arquivamento da grande maioria dos casos.

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— O que revolta ver nas investigações é que tem só o caminho que foi feito para matar, mas não o caminho que foi feito para prender. Até hoje não veio ninguém na minha porta para falar: 'Olha a gente investigou'. Mentira. Quem investigou, fui eu. Quem bateu de porta em porta naquela rua e ouviu tudo o que aconteceu naquela noite, fui eu, não foi ninguém mais.

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Frente aos arquivamentos e falhas nas investigações, as Mães de Maio, junto com o defensor Antonio Mafezolli, pediram à Procuradoria-Geral da República a federalização dos crimes de maio. A intenção é que toda a investigação seja feita pela polícia e justiça federais, consideradas instâncias mais idôneas pelos familiares das vítimas. O pedido oficial foi encaminhado em 2010. Ainda não houve resposta sobre a aceitação ou não.

Ciente de outras instâncias jurídicas que podem reconhecer a gravidade dos crimes de maio de 2006 e, finalmente, fazer com que investigações devidas levem os acusados a julgamento, Maffezoli não deixa as mães desistirem.

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Em entrevista registrada no minidocumentário "Mães de Maio: Um Grito por Justiça" (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, 2011), o defensor aponta uma das próximas investidas jurídicas do movimento social.

— Desde o começo, eu trabalho com a estratégia de que nós só vamos ter o reconhecimento de que essas pessoas foram mortas pela polícia e o de que Estado brasileiro é responsável por isso internacionalmente. Então, a nossa estratégia é denunciar o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para que, depois, chegue à Corte [Internacional de Justiça].

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