Economia 54% dos negócios comandados por mulheres são na área de serviços

54% dos negócios comandados por mulheres são na área de serviços

No Dia da Empreendedora, conheça 5 empresárias que apostaram em setores dominados por homens, como manutenção de veículos e conserto de micros

Maioria das mulheres empreendem por necessidade, aponta pesquisa da RME

Maioria das mulheres empreendem por necessidade, aponta pesquisa da RME

Pixabay

Nesta terça-feira (19), comemora-se o Dia da Empreendedora. Pesquisa realizada pela RME (Rede Mulher Empreendedora) mostra que 54% das mulheres que decidem abrir o seu próprio negócio optam por atuar no setor de serviços.

A maioria prefere atuar em segmentos nos quais tem familiaridade, como alimentação, beleza e estética.

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“A motivação para a mulher empreender é bem diferente da do homem. A maioria delas chega aos 30 anos e, com a maternidade e a falta de oportunidade no trabalho, acaba optando para abrir o próprio negócio para garantir uma fonte de renda com maior flexibilidade para poder cuidar da família”, diz Adriele Mistica Dias da Costa, analista de monitoramento e avaliação da RME.

No caso dos homens, a pesquisa aponta que eles empreendem ou por vocação natural ou para buscar uma renda extra.

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Camila Ribeiro, analista de negócios e gestora de projetos Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), diz que as mulheres, quando pensam em empreender, buscam algum negócio para mudar a realidade das outras mulheres ou facilitar o acesso a produtos de seu interesse.

“A maioria, infelizmente, não se vê capaz para ser dona do próprio negócio. Muitas chegam ao Sebrae falando que ajudam o marido a tocar o negócio, no entanto, quando investigamos a fundo percebemos que é ela a responsável por tudo”, comenta Camila.

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A analista do Sebrae diz que, apesar de a predominância feminina ser nas áreas de comércio e serviço, há dois anos a presença delas vem aumentando, ainda que lentamente, no setor de tecnologia.

“Já temos mulheres atuando com tecnologia e liderando startups com projetos inovadores”, conta.

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Para inspirar outras mulheres, o R7 listou a história de sucesso de cinco empreendedoras que decidiram investir em negócios dominados por homens, como manutenção de veículos e residencial e conserto de micros, mostrando que talento não tem nada a ver com questão de gênero.

Arquiteta faz manutenção residencial para mulheres

Katherine, da Mana Manutenção

Katherine, da Mana Manutenção

Divulgação

A arquiteta Katherine Pavloski, 31 anos, abriu a Mana Manutenção, empresa de manutenção residencial com mão de obra exclusivamente feminina, em agosto de 2015, por perceber que “a maioria das mulheres recebe prestadores de serviços homens em suas casas e acabam se sentindo intimidadas por isso”.

“Sou de Curitiba, fui morar no Rio de Janeiro em 2012 e não conhecia ninguém. Instalei as prateleiras, troquei chuveiro e resistência tudo sozinha. Sempre soube me virar porque fui criada com meus avós e participei de várias obras de construção realizadas na casa deles. Daí também surgiu a minha paixão pela arquitetura. ”

A empresa atende apenas mulheres e seus maridos. “Não prestamos serviço para homens de nenhuma orientação sexual ou gênero. ”

Katherine conta que a maior dificuldade do negócio foi na administração da empresa. “Isso deveria ser ensinado desde a escola para termos noção de como lidar com o dinheiro, reservas, fluxo de caixa para o caso de resolvermos empreender no futuro. ”

Para a empresária, “é muito difícil abrir novos caminhos não tendo em quem se basear ou se inspirar. “Conheço boas histórias, mas são pessoas distantes como a Luiza Trajano [dona do Magazine Luiza). A admiro muito, mas está fora da minha realidade e não tenho contato com ela. ”

Katherine diz que são raras as mulheres que atuam profissionalmente na área de manutenção residencial. No entanto, a diferença diminui bastante dentro da periferia. “Lá elas trabalham para elas mesmas. ”

A Mana Manutenção conta com sete prestadoras e tem uma carteira com 1.500 clientes.

Projeto social vira negócio que emprega 420 pessoas

Sandra Nalli é dona da Escola do Mecânico

Sandra Nalli é dona da Escola do Mecânico

Divulgação

A empresária Sandra Nalli, 39 anos, criou a Escola do Mecânico, em março de 2011, depois de perceber que faltava mão de obra qualificada no segmento de reparação automotiva.

Antes de abrir seu próprio negócio, Sandra, que sempre trabalhou no ramo, teve a ideia de iniciar um projeto de capacitação de jovens da Fundação Casa quando ainda era gerente de uma loja de serviços automotivos.

“Comecei a dar aula para os meninos da Fundação Casa como projeto social. Quando senti que faltavam profissionais para atuar na área, decidi procurar o Sebrae para validar a minha ideia e comecei o negócio.”

O projeto social ainda continua ativo, e hoje a Escola do Mecânico é uma rede com quatro unidades próprias e 26 franqueadas. A previsão é que a companhia chegue a 50 lojas até o final de 2020.

Atualmente a rede emprega 420 pessoas e atende 14 mil alunos.

Sandra conta que chegou a sofrer preconceito por ser mulher e atuar no ramo automotivo.

“Houve resistência no início, principalmente para o acesso ao crédito. Eu não conseguia crédito suficiente para garantir a saúde do meu negócio no início. Precisei vender meu carro fazer a empresa nascer e sustentar os primeiros de operação. ”

Para a empresária, a situação está um pouco melhor hoje, mas ainda temos muito a evoluir. “Em 2011 não tínhamos alunas mulheres. Hoje vemos mulheres que buscam formação e temos mulheres que são contratadas por oficinas. ”

Sandra conta que a escola também tem o Projeto Emprega Mecânico, uma plataforma que conecta alunos e empresas que buscam profissionais, para auxiliar a empregabilidade do setor.

Empresas parceiras acessam o sistema – disponível em site e aplicativo – atrás de profissionais, oferecem oportunidades disponíveis e iniciam o processo seletivo.

Empresária faz assistência de micros só para mulheres

Caroline Almeida e Camila Gonçalves criaram a TechYou

Caroline Almeida e Camila Gonçalves criaram a TechYou

Ricardo Matsukawa/Sebrae-SP

As empresárias Camila Gonçalves, 31 anos, e Caroline Almeida, 34 anos, criaram a TechYou, especializada em assistência técnica de informática e consultoria de tecnologia, em maio de 2017.

O negócio começou depois que Camila, formada em letras, decidiu transformar o hobby de consertar os micros e notebooks de familiares e amigos em negócio.

Camila conta que o principal diferencial da empresa é o atendimento exclusivo para mulheres.

“Eu retiro o equipamento, conserto e entrego na residência delas. Acho que é uma prestação de serviço mais íntima e segura”, diz.

A empresária conta que muitos homens estranham quando ela fala que só trabalha para mulheres.

“Eles questionam porque não passam pelo mesmo medo que a gente passa ao abrir a porta para um desconhecido, às 20h, que é o horário que normalmente faço meus atendimentos”, pontua.

O negócio, que começou com atendimento apenas para pessoas conhecidas, hoje presta serviço para cerca de 20 mulheres por mês.

“A maioria das nossas clientes é mulher que mora sozinha, mas também atendemos casadas e empresas comandadas por mulheres. ”

Camila tem uma sócia, Caroline Almeida, de 34 anos, que é formada em jornalismo e tem pós-graduação em Gestão de Mídias Digitais.

“Por não termos uma loja, a TechYou precisava de alguém bom para nos promover nas mídias. Ela topou a sociedade e é responsável por administrar o site e o Instagram. ”

Nutricionista melhorou gestão de centro automotivo

Vanessa Martins, do Torigoe

Vanessa Martins, do Torigoe

Divulgação

Cansada de viajar pelo Brasil para atender clientes, a nutricionista Vanessa Martins, que também é administradora e treinadora comportamental, resolveu fazer uma proposta para o marido: trabalhar com ele no Centro de Diagnóstico Automotivo Torigoe.

Imediatamente a resposta foi não.

“Ele ficou com receio de trabalharmos juntos, mas mostrei que poderia contribuir positivamente para o negócio e ele acabou aceitando”, diz.

Na época, Vanessa não tinha experiência para gerir um negócio, muito menos no setor automotivo.

Foi buscar capacitação e começou a identificar os problemas de gestão que a empresa passava.

“A rotatividade de funcionários era muito alta, por exemplo. Com o tempo, consegui reverter isso e tornar o ambiente mais acessível para todos os clientes. Com minha chegada, comecei a fazer mais networking e algumas mulheres começaram a nos procurar para fazer os serviços também”, conta.

Vanessa também passou a conhecer o ramo automotivo e lembra que sofreu preconceito no início, mas foi superado por ter se posicionado sempre.

“Na nossa empresa, por exemplo, não há distinção de banheiro feminino ou masculino. Existe banheiro para pessoas. Recebemos homens, mulheres, lésbicas, gays e mantemos um clima harmonioso. ”

Todas as semanas, Vanessa recebe um grupo de mulheres para falar sobre empreendedorismo.

Também oferece mentoria online para cerca de 100 profissionais que desejam empreender.

A maioria, segundo ela, quer investir em negócios como lojas de roupas, contabilidade, pipoca gourmets.

Raio-X do empreendedorismo feminino no Brasil

Arte R7