Ação da Casas Bahia despenca após pedido de recuperação judicial de R$ 17,3 bi
Processo busca preservar as operações e reestruturar financeiramente a empresa
Economia|Da Reuters
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

As ações da Casas Bahia desabaram nesta segunda-feira (17) após o grupo varejista pedir recuperação judicial, citando a deterioração das condições financeiras da companhia, afetadas pelo ambiente macroeconômico desafiador.
A medida judicial impacta pagamentos de aproximadamente R$ 17,3 bilhões a bancos, fundos de investimento, seguradoras, fornecedores, além de aluguéis e dívidas trabalhistas.
Por volta das 12h40, as ações recuavam 21,2%, a R$0,52, tendo chegado a R$ 0,42 no pior momento, com um tombo de 36,4%.
Veja Também
No fato relevante sobre o pedido, a companhia apontou patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro, além da não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas, como componentes para a piora das suas finanças.
“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, afirmou.
O pedido protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo também inclui algumas de suas filiais.
O conselho de administração da empresa aprovou pedido para a convocação de uma assembleia geral extraordinária para a data mais breve possível para deliberar sobre o tema.
A Casas Bahia ressaltou que, durante o curso do processo de recuperação, a companhia pretende “manter suas operações em todos os seus canais existentes, priorizando o atendimento a seus clientes e consumidores, sem interrupções relevantes, e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes”.
“Nos últimos anos, fizemos um trabalho importante de transformação da companhia. Reduzimos de forma relevante o endividamento financeiro, melhoramos nossa estrutura de capital, avançamos em eficiência e fortalecemos a geração de caixa. Mas precisamos reconhecer que essa evolução, embora crucial, não foi suficiente diante de um cenário de crédito mais restritivo, juros elevados e consumo pressionado”, afirmou o presidente-executivo da empresa, Renato Franklin, em nota à imprensa.
“A realidade mudou e, junto ao nosso conselho de administração, tomamos decisões para adequar a companhia a essa nova realidade”, acrescentou.
“Em uma perspectiva mais ampla para o setor varejista, destacamos que o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia menciona a dificuldade de obter linhas de crédito de curto prazo para financiar o capital de giro, além de um mercado de crédito mais restrito, como alguns dos fatores que contribuíram para a deterioração de sua situação financeira”, apontaram analistas do JPMorgan.
“Embora essa situação não seja aplicável de forma generalizada a todas as varejistas, acreditamos que empresas que precisem refinanciar passivos de curto prazo e financiar necessidades de capital de giro podem enfrentar condições de crédito desafiadoras, especialmente aquelas com balanços mais pressionados e níveis mais elevados de alavancagem”, acrescentaram em relatório a clientes.
Na madrugada de domingo, a companhia havia reportado um prejuízo de mais de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, que relacionou ao impacto de um plano de redimensionamento de sua operação, que incluiu o fechamento de 298 lojas para lidar com o momento mais difícil.
Também anunciou o início de uma nova etapa do seu plano de transformação, que, além do fechamento de lojas, inclui reorientação dos canais digitais, adequação dos estoques e do capital de giro, redução estrutural de custos, despesas e investimentos, gestão da liquidez e redução do custo financeiro, alternativas de estrutura de capital e liquidez.
“A estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor, mais seletiva e concentrada nas atividades capazes de gerar retorno e caixa. Isso significa preservar as operações com maior capacidade econômica, adequar custos e investimentos ao novo nível de atividade, melhorar o giro de estoques e reduzir a necessidade de capital empregado”, acrescentou Franklin.
A companhia também anunciou a renúncia do diretor jurídico e tributário, Fábio Spina, e dos conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón Peres. A empresa afirmou que Spina permanecerá como consultor.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp















