Economia Ações da Petrobras têm maior queda da história com tombo dos preços do petróleo

Ações da Petrobras têm maior queda da história com tombo dos preços do petróleo

Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - As ações da Petrobras chegaram a desabar mais de 25% nos primeiros negócios desta segunda-feira, maior queda da história dos papés, com a perda de valor superando 81 bilhões de reais no pior momento, na esteira do tombo do petróleo no exterior, onde as cotações chegaram a cair mais de 30% nesta segunda-feira.

A forte queda na cotação da commodity ocorreu após a Arábia Saudita ter sinalizado que elevará a produção para ganhar participação no mercado. Os sauditas cortaram seus preços oficiais de venda.

Por volta das 10:30, Petrobras PN caía 23,96%, a 17,36 reais, e Petrobras ON recuava 24,61%, a 18,14 reais. Na sequência, os papéis tiveram as negociações suspensas depois que a bolsa acionou o mecanismo de circuit breaker após o Ibovespa cair 10%. Os negócios serão interrompidos por 30 minutos até às 11h01.

Na mínima até o momento, Petrobras PN caiu 25,5%, a 17 reais, menor patamar intradia desde setembro de 2018, e Petrobras ON recuou 26,97%, a 17,57 reais, mínima intradia desde junho de 2018. Tal declínio representa uma perda de valor de mercado de 80,9 bilhões de reais.

Analistas do Bradesco BBI cortaram a recomendação para os papéis da Petrobras para 'neutra', reduzindo o preço-alvo das preferenciais para 23,50 reais ante 38 reais, para incorporar "um cenário de preço do petróleo mais pessimista em nosso modelo após a enorme decepção com a última reunião da Opep e as repercussões anunciadas pela Arábia Saudita".

O Goldman Sachs cortou sua previsão para os preços do petróleo Brent para o segundo e terceiro trimestres de 2020 para 30 dólares o barril, "com possíveis quedas de preços para níveis de estresse operacional e custos de caixa bem próximos de 20 dólares o barril", conforme relatório a clientes ainda no domingo.

Analistas do BTG Pactual ponderaram que é difícil projetar qualquer cenário neste momento, acrescentando que seu panorama base consiste em preço do Brent em 57,50 dólares e dólar a 4,25 reais, o que indicaria papel negociando abaixo de 5 vezes Ebitda, conforme nota a clientes.

"Mas sabemos que claramente existe risco de 'downside' nesse cenário (o que pode disparar revisões de previsões de lucros para baixo). Considerando o Brent no preço atual de 36 dólares, a ação estaria negociando a 9,2 vezes o Ebitda 2020."

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