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Freezers, painéis de LCD e LED: alta do imposto de importação pode elevar preços a longo prazo

Medida deve beneficiar a indústria no curto prazo, mas especialistas apontam risco de inflação e perda de competitividade

Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Aumento das alíquotas de importação pode elevar custos e preços ao consumidor.
  • Medida beneficia a indústria no curto prazo, mas gera risco de inflação e diminuição da competitividade.
  • Dependência do Brasil de insumos importados limita capacidade produtiva e modernização dos setores.
  • Impactos negativos podem reduzir eficiência e elevar o "custo Brasil" no médio e longo prazo.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aumento das alíquotas de importação deve pressionar custos e afetar a competitividade Divulgação / Mapa - arquivo

O aumento das alíquotas de importação proposto pelo governo deve pressionar custos, afetar a competitividade e ter impacto direto sobre os preços ao consumidor, avaliam especialistas ouvidas pelo R7.

Apesar de possíveis efeitos positivos no curto prazo, a medida levanta preocupações sobre seus desdobramentos para a economia brasileira.

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A elevação das tarifas pode trazer consequências negativas mais profundas do que os ganhos imediatos pretendidos pelo governo. Para Ludmila Culpi, professora de relações internacionais da PUC-PR, a medida representa uma resposta de curto prazo que tende a gerar distorções relevantes ao longo do tempo.

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“Considero ser uma ilusão de curto prazo que gera estrangulamento de longo prazo, pois produz efeitos adversos”, afirma.

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Na avaliação da especialista, o principal problema está na estrutura da economia brasileira, que ainda depende fortemente de insumos, máquinas e tecnologias importadas para sustentar a produção.

Ao encarecer esses itens, a política tarifária acaba atingindo diretamente a capacidade produtiva do país.

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Ela destaca que a medida não afeta apenas bens finais, mas também componentes essenciais para a indústria e o agronegócio, como equipamentos, fertilizantes e tecnologias. Isso tende a limitar ganhos de produtividade e dificultar a modernização de setores estratégicos.

“O Brasil possui uma dependência estrutural de importações [...]. Ao taxar 12 mil itens, o governo encarece a importação de tecnologia e maquinário, tão essencial para o desenvolvimento industrial, limitando a produtividade”, diz.

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Inflação de custos

Além disso, Culpi avalia que o impacto pode se espalhar por toda a economia, com efeitos diretos sobre os preços. Segundo ela, o encarecimento de insumos importados tende a ser repassado ao consumidor final, gerando inflação de custos.

“Se a peça de um trator ou o chip de um computador [...] fica mais caro, a fábrica brasileira repassa esse custo para o preço final”, analisa.

Nesta sexta-feira (27), o governo anunciou recuos em alguns pontos da proposta após repercussão negativa e pressão de setores afetados, restabelecendo as alíquotas anteriores para produtos como smartphones e notebooks.

Ao mesmo tempo, zerou a tarifa para 105 itens, principalmente máquinas e equipamentos sem produção nacional, em uma tentativa de reduzir custos para a indústria.

A decisão mantém, no entanto, a elevação das taxas sobre outros produtos, como freezers, painéis com LCD e LED e máquinas e equipamentos industriais.

Segundo a especialista, as mudanças não eliminam os efeitos negativos sobre o setor produtivo.

Capacidade da indústria

Para a economista Patricia Tendolini, o aumento das alíquotas pode até funcionar como um mecanismo de ajuste no curto prazo, ao reduzir a demanda por importações e tentar conter o avanço do déficit externo.

No entanto, esse efeito depende do tipo de produto atingido e da capacidade da indústria nacional de substituir esses itens.

Ela explica que uma parcela significativa das importações brasileiras é composta por bens de capital e insumos produtivos — itens que não são facilmente substituídos no curto prazo. Nesses casos, a elevação das tarifas tende a se traduzir mais em aumento de custos do que em redução efetiva das importações.

“A política tarifária assume função de ajuste de curto prazo do setor externo [...]. Todavia, sua eficácia estrutural depende da composição das importações e da capacidade produtiva nacional”, afirma.

Segundo Tendolini, o impacto mais imediato para as empresas é o encarecimento da produção, especialmente em setores que dependem de tecnologia e componentes importados. Esse aumento de custos pode pressionar margens, afetar o fluxo de caixa e se propagar ao longo das cadeias produtivas.

“O principal efeito é o aumento do custo de aquisição desses bens [...], elevando o custo de produção das firmas e pressionando cadeias produtivas”, explica.

A economista também chama atenção para os efeitos sobre investimento e inovação. Como parte relevante dos itens atingidos envolve máquinas, equipamentos e tecnologia, a medida pode comprometer planos de expansão e modernização das empresas.

No médio e longo prazo, esse cenário pode reduzir a competitividade da economia brasileira, tanto no mercado interno quanto no externo. Isso porque o aumento do chamado “custo Brasil” tende a diminuir a eficiência produtiva e dificultar a inserção do país em cadeias globais de valor.

“Quando a produção nacional depende de bens importados [...], o aumento de tarifas pode elevar o ‘custo Brasil’, reduzindo a eficiência produtiva”, diz.

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