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Alívio no bolso: isenção do IR e dólar baixo impulsionam poder de compra em início de ano

Apesar do otimismo, incertezas políticas podem afetar a economia com as eleições previstas para outubro, dizem especialistas

Economia|Bruna Pauxis e Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em 2026, a nova tabela do Imposto de Renda isenta rendimentos de até R$ 5.000, possibilitando uma economia média de R$ 300 mensais para os consumidores.
  • A valorização do real e a queda do dólar impulsionam o consumo e podem levar a juros mais baixos no futuro.
  • Embora o cenário atual seja otimista, o impacto nas finanças dos consumidores tende a ser gradual e está sujeito a incertezas políticas, especialmente com as eleições de outubro.
  • Aumento da demanda pode pressionar preços e elevar a inflação, criando um cenário desafiador para o crescimento econômico ao longo do ano.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Na imagem, uma loja com diversos consumidores. No foco da figura, há uma escada na qual algumas mulheres sobem carregando suas compras
Nova faixa de isenção do IR deve gerar economia média de R$ 300 mensais Marcelo Camargo/ Agência Brasil - Arquivo

O ano de 2026 começou com mudanças no ambiente econômico que influenciam diretamente o bolso do trabalhador. A combinação entre a nova tabela do IR (Imposto de Renda) e a recente valorização do real, com a baixa do dólar na última semana, criou um cenário de otimismo para o consumo doméstico.

Além disso, a sinalização do Banco Central de que a taxa básica de juros pode começar a cair em março, somada à valorização do ouro, redesenha as perspectivas para o início do ano. Embora esses movimentos não sigam uma regra automática, eles ajudam a entender para onde caminham o custo de vida, o crédito e as decisões de consumo no país.


A expectativa de início do ciclo de queda da Selic surge após o Banco Central manter, nesta semana, a taxa básica de juros em 15% ao ano pela quinta vez consecutiva. O cenário abre espaço para um crédito mais barato à frente, mas a mudança no bolso do consumidor tende a acontecer de forma gradual.

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Segundo Hulisses Dias, fundador da Beginity Capital, a combinação desses fatores tende a aliviar parte das pressões sobre a economia, mas os efeitos para o consumidor não são imediatos.


“Os efeitos tendem a ser lentos para o consumidor brasileiro, porque as empresas passaram muito tempo com margens de lucro comprimidas e, nesse primeiro momento, a tendência é ampliar essas margens antes de repassar reduções de custos aos preços finais”, afirma.

Ainda assim, segundo ele, a sinalização do BC já influencia o mercado. “O mercado é feito de expectativas, e a melhora delas reduz o custo de capital das empresas e ajuda a criar um ambiente mais favorável para o crédito”, explica.


Nova faixa de isenção do Imposto de Renda

Desde 1º de janeiro, quem recebe até R$ 5.000 teve o Imposto de Renda zerado, o que representa uma economia média de R$ 300 mensais, que passam a circular no comércio.

Professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva avalia que a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5.000 mensais é um avanço significativo, uma vez que a faixa de isenção estava congelada desde 2015.


“Com a medida, estima-se que cerca de 15 milhões de brasileiros deixarão de pagar o imposto, gerando uma economia anual de aproximadamente R$ 4.356,89 para quem ganha R$ 5.000 mensais”, estima o economista.

Para Silva, porém, a mudança não recompõe totalmente as perdas inflacionárias dos últimos anos. “A inflação acumulada entre 2015 e 2022 foi superior a 50%, enquanto os salários, em muitos casos, não acompanharam esse ritmo”, analisa.

Dólar em queda

Nos últimos dias, o dólar passou a operar em queda frente ao real, atingindo o menor nível de fechamento desde o fim de maio de 2024, o que reflete a melhora das expectativas em relação à política monetária no Brasil e ajustes no cenário externo.

Na quinta-feira (29), a moeda americana fechou o dia cotada em R$ 5,19. O movimento foi impulsionado por um fluxo recorde de capital estrangeiro e pela volatilidade política enfrentada nos Estados Unidos desde o final do ano passado.

Dias afirma que a desvalorização do dólar tem impacto direto no custo de produção no Brasil, mesmo para quem não consome produtos importados. Insumos essenciais da economia, como trigo, milho, aço e petróleo, são cotados em moeda americana.

“Mesmo que o consumidor não saia do Brasil, muitos itens do dia a dia dependem do dólar. Quando a moeda cai, há uma redução dos custos de produção, o que tende a aliviar a inflação ao longo do tempo”, diz Dias.

Esse movimento ajuda a criar espaço para cortes maiores nos juros no futuro, já que um câmbio mais baixo reduz pressões inflacionárias.

Embora o momento seja propício para a economia nacional, Silva alerta para um risco elevado com o atual cenário: os chamados investimentos de “hot money”. Impulsionado por um real valorizado e juros elevados, o Brasil pode ser alvo desse tipo de aplicações, que são “voláteis” e “podem sair do país rapidamente diante de mudanças no cenário global”.

Ouro em alta

A valorização do ouro, por outro lado, reflete um cenário internacional ainda marcado por incertezas. Tradicionalmente visto como ativo de proteção, o metal sobe em momentos de maior aversão ao risco.

Nos últimos 12 meses, o ouro tem renovado máximas no mercado internacional alcançando a marca histórica de R$ 25,2 mil, impulsionado por tensões geopolíticas, incertezas sobre o ritmo da economia global e pela busca de investidores por ativos considerados mais seguros.

Para o consumidor comum, o impacto é indireto. “O ouro também é usado na indústria. Quando sobe muito, pode pressionar custos de alguns produtos, mas existe um limite, porque outros metais e ligas acabam sendo utilizados como substitutos”, afirma Dias.

Metais como cobre e prata também acompanham esse movimento, mas, segundo Dias, esse efeito tende a se diluir ao longo do tempo.

Riscos e perspectivas no bolso em 2026

Silva projeta um momento de alta no comércio, principalmente no setor de serviços, especialmente aqueles voltados ao consumo doméstico, como turismo, alimentação e entretenimento. O varejo tecnológico, segundo o professor, beneficia-se diretamente da valorização do real, que reduz os custos de importação de produtos.

Ele comenta, porém, que o aumento da demanda pode pressionar os preços dos produtos, reduzindo o ganho real para os consumidores e aumentando a inflação.

“Caso a inflação volte a subir acima das metas estabelecidas, o Banco Central pode ser forçado a manter os juros elevados por mais tempo ou até aumentá-los novamente. Isso criaria um cenário de crescimento econômico limitado, com o custo do crédito permanecendo alto”, afirma.

Sendo assim, embora o cenário atual seja positivo, pode não durar o ano inteiro, principalmente com a chegada das eleições no segundo semestre.

“As eleições de outubro podem introduzir incertezas políticas, afetando a confiança dos investidores e consumidores. Historicamente, períodos eleitorais no Brasil são marcados por volatilidade nos mercados financeiros e maior aversão ao risco”, diz Silva.

“Portanto, embora haja motivos para otimismo, é prudente adotar uma postura conservadora, diversificando investimentos e monitorando de perto os desdobramentos políticos e econômicos ao longo do ano”, completa.

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