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Americanas escondia rombo gigantesco e fraude foi atribuída a executivos; relembre o caso

Nova fase de investigação da PF mira grandes acionistas por suspeita de cumplicidade no esquema que inflava lucros da varejista

Economia|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em janeiro de 2023, a Americanas revelou dívidas não reconhecidas de R$ 20 bilhões, levando a um pedido de recuperação judicial.
  • A fraude contábil envolvia empréstimos ocultos e contratos fictícios para inflar lucros, beneficiando executivos com bônus milionários.
  • A Operação Disclosure da Polícia Federal investiga agora grandes acionistas e executivos de bancos, ampliando o escopo da investigação.
  • Justiça bloqueou até R$ 54 bilhões em bens dos investigados, enquanto bancos como Itaú e Santander cooperam com as investigações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Em 2023, a rede Lojas Americanas pediu recuperação judicial para evitar a falência imediata Adriano Machado/Reuters - 27.06.2024

O ano de 2023 começou bem antes do Carnaval no mercado de capitais: a rede varejista Lojas Americanas veio a público dizer que tinha dívidas não reconhecidas de nada menos do que R$ 20 bilhões. Era 11 de janeiro e os papéis da empresa despencaram 77% em um único dia. Pouco mais de uma semana após o anúncio, com as dívidas reais recalculadas em mais de R$ 40 bilhões, a Americanas pediu recuperação judicial para evitar a falência imediata.

A explicação para a fraude contábil, à época, era de que a Americanas pegava empréstimos com bancos para pagar fornecedores antecipadamente. Em vez de registrar esses empréstimos como dívida bancária (o que aumentaria o endividamento visível), a diretoria reduzia a conta de “fornecedores”, escondendo o passivo real. Era o chamado risco sacado, que escondia as “inconsistências contábeis”.


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Contratos de Verba de Propaganda Cooperada (descontos e incentivos comerciais de fornecedores) eram criados artificialmente. Eles eram lançados no balanço sem lastro econômico real para inflar os lucros operacionais da varejista.

Com os balanços adulterados demonstrando falsos lucros, a cúpula executiva recebia bônus milionários por metas atingidas de forma fraudulenta. Além disso, diretores venderam mais de R$ 200 milhões em ações da empresa meses antes de o escândalo vir à tona, configurando o uso de informação privilegiada — o chamado “insider trading”.


Topo da pirâmide

Com a deflagração da nova fase da Operação Disclosure, nesta quinta-feira (25), a Polícia Federal ampliou o escopo da investigação. Se até então as figuras centrais eram o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Saicali, agora as investigações miram pessoas ligadas aos acionistas de referência.

Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann. Procurados, eles e as Americanas não responderam a pedidos de entrevista.


A operação também atinge executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do conselho de administração da companhia. A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 54 bilhões em bens dos investigados. Itaú e Santander dizem cooperar com as investigações (leia posicionamento completo abaixo). O Bradesco não respondeu ao pedido de entrevista.

Na prática, enquanto o início do escândalo tratava a fraude como uma ação isolada da diretoria executiva, a nova fase das investigações muda o patamar da crise ao apontar para a possível cumplicidade de quem estava no topo da pirâmide e do sistema financeiro.


O que os bancos dizem

O Santander afirmou, em nota, que está “ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e segue colaborando com as autoridades competentes, como tem feito desde o início das apurações”. “A instituição reitera seu compromisso com a ética, a transparência e o estrito cumprimento da regulamentação em suas operações.”

Já o Itaú Unibanco disse que, embora não seja investigado, “colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas”.

“O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços. A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista.”

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