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ANP mudará regra sobre investimento de petroleiras em pesquisa, quer ampliar acesso

Economia|Do R7

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Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A agência reguladora do setor de petróleo no Brasil vai aprovar nesta semana novas regras para desburocratizar o uso de recursos obrigatórios de pesquisa e desenvolvimento, permitindo que as petroleiras tenham maior influência na aplicação do dinheiro, disse uma autoridade da ANP à Reuters.

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Isso permitirá ainda que startups e fornecedores da indústria de petróleo tenham maior acesso com menor burocracia aos recursos que as empresas obrigatoriamente têm que investir em pesquisa e desenvolvimento e inovação (PD&I) no país, explicou o superintendente de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da ANP, Alfredo Renault.

"Ao mesmo tempo que a gente está tentando dar mais autonomia para as petroleiras, estamos buscando reduzir a burocracia", disse Renault, em uma entrevista pelo telefone.

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"A nossa superintendência está seguindo uma visão da nossa diretoria de que a empresa tem mais qualificação para decidir o que é importante do que nós."

Renault explicou que a participação de outras empresas em projetos de PD&I já era permitida, mas a regulamentação apresentava uma série de entraves, e fornecedores e pequenas companhias não conseguiam participar dos projetos plenamente.

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"Tudo que tinha de permitido nessa área era com tanta dificuldade que as petroleiras não usavam, acabavam desistindo, ou fazendo muito menos... por causa de burocracia e detalhes do regulamento que a gente destravou", afirmou Renault.

Como exemplo de uma dificuldade enfrentada, o superintendente da ANP destacou que a petroleira precisava comprovar que uma empresa que iria fazer parte de um projeto era brasileira de base tecnológica, um conceito considerado subjetivo.

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"As petroleiras ficavam sempre em dúvida se a ANP iria identificar aquela empresa como de base tecnológica ou não. O que fizemos foi acabar com esse conceito, qualquer empresa brasileira, desde que esteja desenvolvendo tecnologia, com programa P&D, não tem problema nenhum."

Ainda assim, como as empresas de petróleo são obrigadas no Brasil a investir percentuais de sua receita em PD&I por meio de uma cláusula presente em contratos de exploração e produção, os investimentos de 1998 até o segundo trimestre de 2019 somam 15,81 bilhões de reais, segundo a ANP.

Somente neste ano, são esperados cerca de 1,8 bilhão de reais em aportes devido à regra, segundo Renault.

A tendência é que esse valor cresça, com o desenvolvimento das importantes áreas do pré-sal, nos próximos anos.

Parte dos recursos obrigatórios empenhados por uma petroleira deve necessariamente ser investida em projetos com universidades e centros de pesquisa. A outra parte a petroleira pode decidir onde aportar.

Com a reforma, a ideia é que centros de pesquisas e universidades possam atuar juntamente com fornecedores e startups no desenvolvimento de projetos guiados por petroleiras, permitindo um ambiente de inovação mais produtivo e atendendo a pleitos da indústria, como do próprio Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que representa as empresas de petróleo.

A empresa também terá mais estímulos para investir diretamente em startups, inclusive com o auxílio de outros entes, como Sebrae, Finep, Fapesp, BNDES, conforme achar mais interessante.

As novas regras chegam para trazer mais robustez para movimento de petroleiras como Petrobras, Shell e Repsol , que já lançaram programas para o desenvolvimento de startups no Brasil, afirmou a gerente de Tecnologia e Inovação do IBP, Melissa Fernandez.

"Agora mais do que nunca, no contexto de novas tecnologias, as startups entram como base fundamental e acessória para esse desenvolvimento", afirmou a gerente do IBP, que aprovou as mudanças realizadas pela ANP no regulamento.

A indústria de petróleo participou de discussões e contribuiu para a reforma das regras.

O tema será parte das discussões desta semana durante evento do IBP O&G TechWeek, focado em tecnologia e tendências para o futuro do setor de óleo e gás, no Rio de Janeiro.

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