Economia Apesar dos recordes no início ano, investir na Bolsa exige cautela

Apesar dos recordes no início ano, investir na Bolsa exige cautela

Principal índice do mercado acionário brasileiro já saltou mais de 8% em 2019, mas, segundo especialistas, isso não é garantia de lucro a investidores

Ibovespa

Bolsa saltou de 87.887 para 95.103 pontos em 2019

Bolsa saltou de 87.887 para 95.103 pontos em 2019

Cris Faga/Folhapress - 09.05.2016

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, superou os 91 mil pontos logo na primeira sessão do ano e registrou nove recordes históricos nos primeiros 15 pregões de 2019.

No período, o índice saltou 8,21%, de 87.887,26 para 95.103,38 pontos. Nesta semana, porém, ele acumula duas quedas e se distanciou um pouco do recorde de 96.096,75 pontos, estabelecido na última sexta-feira (18).

Especialistas em mercado financeiro ouvidos pelo R7 afirmam que o otimismo do mercado acionário brasileiros foi impulsionado pelas expectativas em torno das privatizações e reformas estruturais prometidas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

"O mercado está precificando o novo governo e o discurso de que será realizada uma série de reformas no país", explica George Sales, professor de finanças do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais). Ele teme que o "discurso mais forte do que a prática" pode levar o Ibovespa de volta aos 80 mil pontos.

De acordo com André Alírio, operador da Nova Futura Investimentos, a maior cautela gira em torno do texto da reforma da Previdência. "Para a confirmação desses recordes, é importante que a proposta a ser apresentada seja estruturante para solucionar o problema fiscal", avalia.

“O mercado chegou a um nível em que se exige algo mais concreto com relação a essas expectativas, sobretudo as internas”, completa Alírio, que cita as eleições para a presidência da Câmara e do Senado como um dos passos para a manutenção do otimismo.

Mercado de ações exige atenção ao noticiário diário

Mercado de ações exige atenção ao noticiário diário

Paulo Whitaker/Reuters

Cautela

Para os brasileiros que pretendem se arriscar no mercado de ações, os especialistas recomendam cautela e orientam que os investidores não apliquem toda a grana disponível na Bolsa.

De acordo com Sales, o mercado de ações "não permite que você saia de férias". "Se você que está gerenciando sua carteira de ações, o ponto é não se desligar dos acontecimentos do dia a dia. Em uma semana a queda pode ser bem acentuada", alerta o professor de finanças.

Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos, destaca que muitas pessoas com interesse no mercado de ações têm ainda desconfiança e orienta que os novos investidores busquem diferentes fontes de informação antes de aplicar a grana.

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"Hoje, existe um acesso muito fácil ao mercado de ações, com inúmeras plataformas digitais de investimento, uma série de materiais organizados que facilitam os pequenos investidores e analistas com canais em redes sociais auxiliando os interessados no mercado", afirma Indech.

Alírio recomenda que os novos investidores procurem por profissionais que façam avaliação das principais ações para selecionar os papéis que têm bons potencias de crescimento ao longo do ano.

"Para o investidor que está começando, eu acredito que o tipo de carteira mais recomendada é a de dividendos, mas isso não impede que ele siga uma carteira recomendada", avalia o operador da Nova Futura.

Sales, do Ibmec, menciona ainda que o percentual a ser destinado à renda variável não deve ultrapassar um terço dos investimentos totais dos poupadores. "Os mais jovens têm um pouco mais tempo de recuperar e podem colocar um pouco mais das finanças no mercado de ações. Para as pessoas com mais idade, não é conveniente colocar um grande percentual dos recursos em ações", observa.