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Arrecadação deve ter alta de 1% em fevereiro e anima equipe econômica

Resultado preliminar indica que cenário parou de pior

Economia|Do R7

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Dados preliminares obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo indicam que a arrecadação de impostos e contribuições administrados diretamente pela Receita Federal cresceu quase 1% em termos reais em fevereiro na comparação com igual mês do ano passado. De acordo com técnicos, o dado reforça a ideia de que a arrecadação federal caminha para reverter a trajetória de queda vista durante a maior parte de 2016. A equipe econômica comemora o número como "mais um sinal" de reação da economia, mas há elevado grau de incerteza sobre a tendência.

No esforço de mostrar que o pior já passou, a equipe econômica tem repetido como mantra alguns indicadores. O movimento de veículos pesados nas rodovias e a venda de papel ondulado são frequentemente lembrados como sinais de reação. Agora, os impostos começam a ser encarados como um novo argumento já que, com o crescimento registrado em fevereiro, quatro dos últimos cinco meses registraram aumento real da arrecadação federal.

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A abertura dos dados preliminares, porém, mostra que o movimento ainda não é propagado. Os números indicam que a arrecadação da Cofins, por exemplo, está praticamente igual, em termos reais, à de fevereiro do ano passado. Esse tributo é o que mais rapidamente reflete as variações da atividade econômica. Também o Imposto de Renda, que serve como termômetro, está com os recolhimentos "patinando".

Ou seja, ainda não há indícios suficientes para dizer que a arrecadação esteja refletindo uma melhora no cenário econômico. Eles mostram, sim, que o quadro parou de piorar. "Por certo, podemos falar que se bateu no fundo do poço e, agora, que parou de afundar, mas ainda está muito longe de voltar para a boca do poço", diz o economista José Roberto Afonso, que ainda não vê motivos para comemoração.

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Afonso nota que há "brutal dispersão" na natureza da arrecadação federal. Enquanto tributos ligados às instituições financeiras ou o próprio Imposto de Renda na fonte têm mostrado alguma força, não há sinais positivos no setor produtivo.

O diretor executivo da Instituição Fiscal Independente, Felipe Salto, concorda.

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— É muito cedo para falar em início de um movimento mais forte no PIB e, mais ainda, na arrecadação.

Orçamento

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Os recolhimentos de tributos também estão abaixo do projetado pelo governo na Lei Orçamentária de 2017. Mas isso não é uma surpresa, pois os dados da lei, calculados em agosto de 2016, levavam em consideração uma estimativa de crescimento do PIB de 1,6% este ano. Esse dado será revisto para baixo no relatório bimestral que o governo divulgará na semana que vem.

O governo esperava o dado da arrecadação de fevereiro para determinar o valor do contingenciamento (bloqueio) de despesas a ser feito no Orçamento deste ano, dado que também constará do relatório bimestral. Nos meios técnicos, o cálculo é que ele precisará ser de, no mínimo, R$ 30 bilhões para eliminar os "excessos" que estão na lei orçamentária.

No entanto, há muitas variáveis que influenciam no número final. O Orçamento conta com o ingresso de, ao menos, R$ 13 bilhões com o programa de repatriação, aprovado ontem pelo plenário do Senado. Porém, técnicos suspeitam que, como as regras desta segunda etapa são semelhantes às da primeira, o ingresso será "residual". Procurada, a Receita Federal não comentou o assunto.

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