Banco central americano volta a aumentar taxa de juros em 0,75%
Esta é a sexta alta do ano, com objetivo de conter a inflação; índice está entre 3,75% e 4%, nível mais elevado desde janeiro de 2008
Economia|Do R7, com agências

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) anunciou nesta quarta-feira (2) um aumento de 0,75% na taxa básica de juros da economia dos Estados Unidos. É a quarta alta consecutiva de 0,75%, e a sexta do ano. A taxa fica, agora, situada entre 3,75% e 4,00%, seu nível mais elevado desde janeiro de 2008, resposta à forte inflação.
Essa alta é o esforço mais recente para tentar conter o aumento dos custos, sentido por famílias de todo o mundo.
No comunicado, o banco informa que futuras altas dos juros podem ser menores, para levar em conta o "aperto acumulado da política monetária" até agora. Também é feita observação sobre o impacto do ritmo acelerado de aumentos de juros do Fed, e o desejo de estabelecer um nível "suficientemente restritivo para levar a inflação a 2% ao longo do tempo".
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Na ata do encontro anterior, divulgada em 12 de outubro, o banco já havia dito que mais altas nos juros "continuam a ser apropriadas" nas decisões de suas próximas reuniões, a fim de levar a inflação de volta à meta de 2%. A autoridade monetária manteve a avaliação de que a inflação do país estava "elevada", diante de fatores como desequilíbrios entre a oferta e a demanda, os preços de energia e outras pressões mais amplas sobre os preços.
Desta vez, apesar de não excluírem qualquer decisão futura, as autoridades disseram: "Ao determinar o ritmo de aumentos futuros, o comitê (Federal de Mercado Aberto) levará em conta o aperto acumulado da política monetária, a defasagem com que a política monetária afeta a atividade econômica e a inflação, e acontecimentos econômicos e financeiros".
Com isso, demonstra reconhecer o amplo debate que surgiu em torno do aperto imposto, seu impacto sobre as economias norte-americana e mundial, e o perigo de que grandes aumentos contínuos dos juros possam estressar o sistema financeiro ou desencadear uma recessão.
Apesar do cuidado do Fed com a meta de inflação, políticos dos EUA têm se mostrado preocupados com o impacto dos juros altos nos empregos do país. Eles, que não costumam emitir opiniões sobre as decisões do Federal Reserve, decidiram emitir um alerta. Em uma carta endereçada ao presidente do banco, Jay Powell, dez democratas falam sobre possíveis consequências do controle de preços e da inflação para o mercado de trabalho.
A estratégia do Fed seria enfraquecer o mercado de trabalho para conter a demanda que está deixando os preços altos. O risco, segundo analistas, é a economia entrar em recessão, e problema da inflação se transformar em um problema ainda maior, de empregos.
A taxa de juros dos Estados Unidos teve altas em todas as reuniões do banco central desde março. É a rodada mais rápida de aumentos de juros, depois que o ex-presidente do Fed Paul Volcker tentou controlar a inflação entre os anos 1970 e 1980.
Em seu comunicado, o banco diz que as autoridades permanecem "altamente atentas aos riscos inflacionários", abrindo as portas para novos aumentos. A economia, observou o Fed, parece estar crescendo modestamente, com ganhos de empregos ainda "robustos", e desemprego baixo.
















