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Banco Central avisa: juros altos vão durar mais tempo por causa da guerra no Oriente Médio

Na ata da reunião de março, a entidade explica a redução de 0,25 ponto percentual da taxa Selic e deixa futuro indefinido

Economia|Do R7, com Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Banco Central cortou a taxa Selic de 15% para 14,75%, a primeira redução em quase dois anos.
  • A situação internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio, pode manter os juros altos por mais tempo.
  • As expectativas de inflação estão acima da meta e aumentaram após o início dos conflitos.
  • O Copom não indicou a duração nem o ritmo dos próximos cortes na Selic, avaliando novas informações no futuro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Integrantes do Copom, no Banco Central: guerra no Oriente Médio deixa futuro incerto Raphael Ribeiro/Banco Central - 25.01.2025

O Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a taxa básica de juros (Selic) de 15% para 14,75% ao ano na última quarta-feira (18) — a primeira redução em quase dois anos, desde maio de 2024.

A ata da reunião, divulgada nesta terça-feira (24) pelo Banco Central, explica os motivos da decisão e deixa um recado claro: o cenário internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio, coloca o Brasil em terreno incerto e pode segurar os juros elevados por mais tempo.


Para o trabalhador e para as famílias, a Selic define o custo do dinheiro na economia: quanto mais alta, mais caros ficam o crédito, o financiamento e as dívidas. A redução de 0,25 ponto percentual é um primeiro passo, mas os juros seguem entre os mais altos do mundo.

Por que o Copom cortou os juros agora?

A decisão de iniciar o ciclo de redução da Selic partiu de uma sinalização dada pelo próprio Copom em janeiro. Na ata, o colegiado explicou ter avaliado que os eventos recentes não impediriam a materialização dessa promessa.


“Essa decisão é compatível com o cenário atual, no qual a duração e extensão dos conflitos geopolíticos, assim como sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços, dificultam a identificação de tendências claras”, afirmou o comitê no 15º parágrafo da ata.

Entre as opções de ritmo analisadas, o Copom concluiu que a redução de 0,25 ponto percentual seria a mais adequada para este momento.


A calibração, como o Banco Central chama o processo de ajuste dos juros, manterá caráter restritivo para assegurar a convergência da inflação à meta.

A guerra no Oriente Médio preocupa

O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã — e o fechamento do Estreito de Ormuz — provocou uma disparada nos preços do petróleo no mercado internacional e elevou a incerteza sobre o rumo da inflação no Brasil.


O Copom chegou a debater tornar o balanço de riscos assimétrico para cima, mas optou por não fazer mudanças.

“Após debater alterações no balanço de riscos, o comitê julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo, em função da incerteza elevada em relação à evolução de seus elementos”, disse o colegiado na ata.

O comitê reforçou que os próximos passos do ciclo de calibração da Selic poderão incorporar novas informações sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre os preços ao longo do tempo.

Inflação acima da meta

As expectativas de inflação, segundo o Copom, vinham em trajetória de queda, mas subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio e permanecem acima da meta em todos os horizontes.

O comitê alertou que, nesse tipo de ambiente, o custo de reduzir a inflação sobre a atividade econômica é maior.

“Em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, afirmou o colegiado — conclusão compartilhada por todos os membros do comitê.

Para 2026, o Copom projeta inflação de 3,9% pelo IPCA — acima do centro da meta, de 3%. Para o terceiro trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária, a projeção é de 3,3%.

Nos preços livres, as estimativas são de 3,7% em 2026 e 3,3% em 2027. Nos preços administrados — como energia e combustíveis —, as projeções são de 4,3% e 3,2%, respectivamente.

Todas as projeções consideram bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027, câmbio a R$ 5,20 com evolução pela paridade do poder de compra, e petróleo seguindo a curva futura por seis meses, com alta de 2% ao ano depois.

O que vem pela frente?

O Copom não sinalizou nem o ritmo nem o tamanho total do ciclo de cortes. A magnitude e a duração do processo serão definidas à medida que novas informações forem sendo incorporadas à análise.

“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo”, disse o colegiado no 9º parágrafo da ata.

O comitê também informou que continuará acompanhando os dados para calibrar os impactos da isenção do imposto de renda sobre as projeções de inflação — medida do governo federal com efeitos ainda em avaliação pelo Banco Central.

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