Economia Banco Central deve elevar Selic a 13,75% e deixar porta aberta para nova alta

Banco Central deve elevar Selic a 13,75% e deixar porta aberta para nova alta

Se aumento de 0,5 ponto percentual for confirmado, a taxa básica de juros irá atingir o mesmo patamar de janeiro de 2017 e será a 12ª alta consecutiva

Sede do Banco Central

Sede do Banco Central

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Começou às 9h48 desta terça-feira (2) a primeira sessão do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), com a análise de conjuntura. Essa primeira parte se estende pela tarde de hoje e também pela manhã de quarta-feira (3), conforme ritual iniciado em maio para dar mais "frescor" ao colegiado no dia da decisão de juros.

Amanhã à tarde, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os oito diretores da instituição têm mais uma rodada de discussões antes de indicarem o novo patamar da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 13,25% ao ano.

A expectativa majoritária do mercado financeiro é de alta de 0,50 ponto porcentual dos juros básicos, para 13,75% ao ano, conforme 49 das 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast. Uma casa espera aumento de 0,25 ponto, a 13,50%, enquanto uma projeta a manutenção do patamar atual da Selic.

A aposta quase unânime na elevação da taxa a 13,75% segue sinalização dada pelo Copom no último encontro, em junho. "Para a próxima reunião, o Comitê antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude 0,50 ponto percentual", disse.

Caso esse aumento seja confirmado, os juros básicos atingirão o mesmo patamar de janeiro de 2017. Será a 12ª alta consecutiva neste ciclo de aperto monetário, que já é o mais longo da história do Copom. Desde o primeiro movimento, em março de 2021, a taxa já subiu de 11,75 pontos porcentuais, o maior choque de juros desde 1999, quando, durante a crise cambial, o Banco Central elevou a Selic em 20 pontos percentuais de uma vez só.

Em junho, o BC ainda indicou que mirava numa inflação mais próxima do centro da meta de 2023 (3,25%) do que sua projeção de 4%. Isso leva uma corrente crescente de economistas a crer que a autoridade monetária não deve ser capaz - mais uma vez - de encerrar o ciclo de alta dos juros amanhã, já que as expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do ano que vem não param de se afastar do teto da meta (4,75%), com 5,33% no Boletim Focus. Neste encontro, a inflação de 2024, para qual o BC projeta 2,7% (aquém da meta de 3,0%), entra no horizonte relevante, mas com menor peso do que 2023.

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