Economia Banco Central mantém taxa básica de juros em 2% ao ano

Banco Central mantém taxa básica de juros em 2% ao ano

Em decisão unânime, Copom diz que acompanha "com atenção" o que classificou como "choque temporário" da inflação

  • Economia | Do R7

Copom se reúne apenas mais uma vez em 2020

Copom se reúne apenas mais uma vez em 2020

Marcelo Casal Jr./ Agência Brasil

O BC (Banco Central) decidiu nesta quarta-feira (28) pela manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano. O veredito unânime surge após o Copom (Comitê de Política Monetária) interromper na última reunião uma sequência de nove cortes seguidos da Selic.

No período de reduções, a taxa básica de juros da economia brasileira desabou 4,5 pontos percentuais, de 6,5% ao ano para os atuais R$ 2% ao ano. Trata-se do menor patamar da história.

Inicialmente contidos, os cortes da Selic foram acentuados com o início da pandemia do novo coronavírus. Os anúncios tiveram a intenção de conter os efeitos da crise causada pelas medidas de isolamento social. Isso acontece porque o crédito mais barato tende a incentivar a produtividade e o consumo.

A manutenção da Selic no patamar atual atende às expectativas do mercado financeiro. Agora, a aposta é de que a taxa básica deve permanecer no patamar atual pelo menos até o final do ano. A próxima e última reunião do Copom de 2020 está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro.

Ao justificar a decisão, o Copom avalia que "a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração", mas destaca que os indicadores recentes sugerem uma recuperação desigual entre os setores econômicos.

Sobre a inflação, o Comitê diz que mantém o diagnóstico de que existe um "choque temporário", mas garante que monitora a situação com atenção, o que pode resultar em um aumento futuro dos juros. "Questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros", prevê o Copom.

"O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2021 e 2022", diz o documento.

Para os diretores do BC, as condições de estímulo monetário "seguem satisfeitas", com as expectativas de inflação "significativamente abaixo da meta" e o regime fiscal sem alteração.

Votaram a favor da decisão o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e os diretores Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros, Fabio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

Taxa de juros

Conhecida como taxa básica, a Selic representa os juros mais baixos a serem cobrados na economia e funciona como forma de piso para as demais taxas cobradas no mercado financeiro.

A taxa básica de juros é aquela que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo para empresas ou consumidores em forma de empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.

A taxa básica também serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, próxima da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento.

Sempre que o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando o Copom reduz os juros básicos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.

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