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Banco Central reduz taxa de juros para 14,75%, em primeiro corte após 2 anos

Corte moderado do Copom reflete cenário externo mais turbulento e pressão inflacionária ainda presente

Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Copom do Banco Central reduz a taxa de juros de 15% para 14,75% ao ano, após quase dois anos.
  • A decisão enfrenta cenário de incertezas externas e pressão inflacionária persistente.
  • O comitê alerta sobre riscos inflacionários devido a conflitos no Oriente Médio e previsão de inflação acima da meta.
  • Próxima reunião do BC para discutir nova conjuntura econômica ocorrerá em 45 dias.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Sob o comando de Galípolo, Banco Central reduz Selic para 14,75% Raphael Ribeiro/BC - 18.12.2025

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu de forma unânime nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano. A decisão marca o início de um novo ciclo de flexibilização monetária após quase dois anos e ocorre em meio a um cenário de incertezas externas e pressão sobre as expectativas de inflação.

Em nota, o BC informou que o acirramento dos conflitos no Oriente Médio tem afetado as condições financeiras e aumentado a volatilidade. Nesse cenário, destacou que a situação “exige cautela por parte de países emergentes”.


O comitê avaliou que a atividade econômica segue em desaceleração, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. A inflação tem apresentado algum alívio, mas permanece acima da meta. As expectativas para os próximos anos seguem elevadas, em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027.

“Os riscos para a inflação se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, diz a nota. Entre os fatores de alta, o Copom citou a possibilidade de desancoragem das expectativas e a resistência da inflação de serviços. Já entre os riscos de baixa, mencionou uma desaceleração mais forte da economia e eventual queda nos preços de commodities.


Diante desse quadro, o Copom afirmou que iniciou um processo de ajuste na política monetária após um período prolongado de juros elevados. Segundo o comitê, esse movimento foi possível porque a política restritiva já contribuiu para a desaceleração da atividade.

Ainda assim, reforçou que seguirá com “serenidade e cautela”, indicando que os próximos passos dependerão da evolução das incertezas, especialmente no cenário externo.


Mercado dividido

O mercado financeiro chegou dividido à decisão, com expectativas que variavam entre a manutenção da Selic e cortes de 0,25 e 0,5 ponto percentual.

Essa taxa valerá ao menos pelos próximos 45 dias, quando os diretores do BC voltam a se reunir para discutir novamente a conjuntura econômica nacional.


No encontro anterior, em janeiro, o comitê manteve a taxa no atual patamar — o mais elevado desde 2006 — pela quinta vez consecutiva, após interromper em julho o ciclo de sete altas consecutivas iniciado em setembro de 2024.

Superquarta no Brasil e nos EUA

O anúncio desta quarta-feira ocorreu durante a chamada “Superquarta” — quando decisões sobre juros são divulgadas simultaneamente por autoridades monetárias do Brasil e dos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, de acordo com as expectativas dos analistas.

Maior nível em 20 anos

Entre agosto de 2022 e junho de 2023, a Selic permaneceu em 13,75% ao ano. Em seguida, ocorreram seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual e outro de 0,25, reduzindo a taxa para 10,5% em maio de 2024.

Esse patamar vigorou até setembro do mesmo ano, quando o Copom iniciou uma nova série de elevações, levando os juros para 10,75%. Desde então, houve sete aumentos sucessivos, até atingir os atuais 15% — o nível mais elevado desde 2006.

O que é a Selic?

A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do Brasil. Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção e podem desacelerar o crescimento econômico.

Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, desestimulando a demanda e contribuindo para a contenção da inflação.

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