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BC aponta novos riscos e diz que vigilância é primordial para combater inflação

Economia|Do R7

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Por Alonso Soto e Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - Novos riscos inflacionários surgiram no Brasil e é primordial que o Banco Central continue vigilante para levar a inflação ao centro da meta no fim de 2016, afirmou nesta sexta-feira o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu Pereira da Silva, sinalizando juros mais altos no momento em que os mercados temem enfraquecimento da austeridade fiscal.

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"O progresso até agora no combate à inflação precisa ser equilibrado diante de riscos mais recentes que ameaçam nosso objetivo central", disse ele em discurso feito no Rio de Janeiro e divulgado no site do BC.

"Portanto, devemos permanecer cautelosos nessa conjuntura particular".

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Awazu afirmou ainda que é "primordial ser vigilante para garantir que a política monetária reflita o balanço de riscos do momento e permaneça adequadamente calibrada para atingir nossos objetivos", em referência ao objetivo da autoridade monetária de ver a inflação no centro da meta de 4,5 por cento ao fim do ano que vem.

As declarações do diretor foram dadas dois dias depois de o governo assustar os mercados com a dramática redução das metas de superávit primário para 2015, 2016 e 2017, diante da contínua queda das receitas.

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Muitos observadores do mercado interpretaram os cortes das metas fiscais como uma admissão de que o governo não será capaz de ajudar o BC a aliviar as pressões inflacionárias à frente.

Awazu não especificou as novas variáveis em jogo, se limitando a assinalar que "desenvolvimentos recentes mostram que há novos riscos para o resultado da inflação para 2016 que podem afetar horizontes de mais longo prazo".

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Os contratos de juros futuros mais curtos ampliaram a alta após as declarações de Awazu, com operadores mudando as apostas e deixando de ver desaceleração no ritmo da alta da taxa básica de juros Selic na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom), passando a apostar majoritariamente em alta de 0,5 ponto percentual.

Em nota a clientes, o economista Bruno Rovai, do Barclays, apontou que o discurso do diretor do BC dá suporte a uma elevação de 0,5 ponto percentual, num momento em que grande parte do mercado já apostava suas fichas numa alta mais branda, de 0,25 ponto percentual, após o BC ter saudado publicamente o avanço da ancoragem das expectativas de inflação para 2016 e 2017.

"Não apenas ele retorna com o emprego da palavra vigilante, que os mercados consideram chave para manutenção do ritmo de aperto, como também dá ênfase adicional a isso ao usar 'primordial'", escreveu Rovai, acrescentando que os "recentes desenvolvimentos" mencionados por Awazu são, na visão do Barclays, a mudança nas metas fiscais.

No último Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em junho, o BC reiterou que não se podia descartar migração da

política fiscal para a zona de contenção, indicando, na prática, que a geração de superávit primário pelo governo voltaria a ajudá-lo na tarefa de combater a inflação.

Até aí, entretanto, o BC ainda considerava as premissas fiscais antigas, de uma economia para pagamento de juros da dívida pública de 66,3 bilhões de reais em 2015, ou 1,1 por cento do PIB, e de 2 por cento do PIB em 2016 e 2017.

Nesta semana, o governo alterou sensivelmente seus alvos para perseguir um superávit primário de 0,15 por cento do PIB em 2015, deixando a porta aberta para um déficit no ano caso algumas receitas extras não sejam atingidas. Para 2016, a nova meta é de 0,7 por cento do PIB, indo a 1,3 por cento do PIB em 2017.

Diante da drástica redução, agentes do mercado já apontam que a menor consolidação fiscal dificulta a tarefa do BC de ancorar as expectativas de inflação para 2016 a despeito da galopante alta de preços neste ano, pressionando pela manutenção do ritmo de ajuste na Selic.

"Deve ser muito difícil para BC convencer alguém ... que a inflação convergirá para a meta sob uma política fiscal muito mais expansionista do que a contemplada no último Relatório de Inflação", escreveu em nota o economista Alexandre Schwartsman, acrescentando que o discurso de Awazu nesta sexta-feira "na prática enterra as chances de uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima semana".

Ele prevê alta de 0,5 ponto percentual na Selic na próxima semana e uma elevação adicional de 0,25 ponto percentual em setembro, quando projeta o fim do ciclo de aperto.

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(Reportagem adicional de Camila Moreira em São Paulo)

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