Brasil trabalha para não ficar refém de alta do petróleo, afirma ministro

Bento Albuquerque participou de reunião para discutir a disparada nos preços do petróleo pela crescente tensão no Oriente Médio

Albuquerque nega intervenção na política da Petrobras

Albuquerque nega intervenção na política da Petrobras

José Cruz/Agência Brasil

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou nesta segunda-feira (6) que o governo brasileiro tem trabalhado na elaboração de políticas para o país não ficar refém de problemas gerados pelas altas nos preços do petróleo. 

Essas políticas estão sendo avaliadas ao mesmo tempo em que o governo busca garantir que a Petrobras tenha liberdade para estabelecer os preços dos combustíveis, já que ainda é praticamente monopolista em refinarias no Brasil, enquanto a petroleira está em processo de venda de cerca de 50% de sua capacidade de refino.

Em entrevista a jornalistas em Brasília para discutir, entre outras coisas, uma disparada nos preços do petróleo pela crescente tensão no Oriente Médio, Albuquerque evitou dizer quais são essas políticas em discussão.

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Ao ser questionado, disse que a palavra "subsídio" não seria a adequada para definir o que está sendo avaliado, e que "compensação" poderia melhor explicar o que tem sido discutido.

"Eu não vou dizer para vocês qual é o instrumento, até porque não se trata de um instrumento só, são vários instrumentos que estão sendo analisados...", disse ele, explicando que a realidade do país hoje é diferente do passado, porque o Brasil é um exportador de petróleo e, dentro de 20 anos, será um dos cinco maiores produtores.

"Então, se o preço de petróleo aumenta, isso é interessante para o país. No entanto, não é interessante que o preço do combustível aumente de forma não esperada. Então temos que ver mecanismos de compensação", afirmou.

"Como será feito isso? Não sei se será com impostos, certamente não vamos procurar esse caminho, dos impostos, para não onerar mais ainda, mas se há maior receita, talvez possa haver uma compensação em cima disso, e esse é um dos instrumentos que estão sendo analisados."

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Além disso, o ministro destacou que os preços do petróleo estão sob controle, apesar das tensões no Oriente Médio decorrentes de um ataque dos EUA que matou um comandante militar iraniano no Iraque. Nesta sexta-feira, o petróleo Brent fechou em alta de US$ 0,31, ou 0,45%, a US$ 68,91 por barril. Mais cedo, o valor de referência chegou a tocar uma máxima de US$ 70,74.

Albuquerque reiterou que o governo de Jair Bolsonaro dá liberdade à Petrobras para definir os preços dos combustíveis, posição esta que foi reiterada pelo presidente-executivo da companhia, Roberto Castello Branco, também presente na coletiva.

Ele ainda comentou uma sugestão do presidente Bolsonaro sobre o eventual redução de alíquota do tributo estadual ICMS sobre combustíveis.

"Então isso, já está sendo discutido também no âmbito do governo, para que, quando houver essa pauta, e isso está sendo analisado, possa se reunir os governadores, primeiro os secretários de Fazenda, etc, para que possa haver uma reunião, no seu mais alto nível, entre presidente e governadores para tomar qualquer deliberação nesse sentido."

Procurado pela Reuters nesta segunda-feira, o diretor institucional do Comsefaz (Comitê dos Secretários de Fazenda dos Estado), André Horta, disse que há uma reunião do Comsefaz já agendada para o próximo dia 21, mas frisou que, por ora, o tema não está na pauta, e que deve haver resistência à proposta.

"Entre 18% e 20% da arrecadação própria dos Estados com ICMS é com ICMS sobre combustíveis. Esse valor é bastante representativo e na situação fiscal atual dos Estados não está sendo possível (abrir mão)", disse.