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Brasileiro deve ser reeleito para OMC

Azevêdo diz que é fundamental lutar pela sobrevivência do sistema multilateral

Economia|Do R7

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Azevêdo alerta que caberá a cada um dos governos, embaixadores e diplomatas lutar pela sobrevivência do sistema multilateral
Azevêdo alerta que caberá a cada um dos governos, embaixadores e diplomatas lutar pela sobrevivência do sistema multilateral LUKE MACGREGOR/Reuters

No momento em que os questionamentos sobre os benefícios da globalização se proliferam e diante da ameaça de os Estados Unidos criarem regras alternativas ao comércio global, o brasileiro Roberto Azevêdo deve ser reeleito nesta terça-feira (28) para mais quatro anos no comando da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Em discurso às vésperas da sua reeleição, Azevêdo fez um alerta claro: caberá a cada um dos governos, embaixadores e diplomatas lutar pela sobrevivência do sistema multilateral diante da ameaça protecionista que paira sobre o mundo.

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A reeleição de Azevêdo ocorre no momento em que o governo do presidente Donald Trump avalia a possibilidade de adotar mecanismos de sanções contra parceiros comerciais, sem a consulta, intermediação ou autorização da OMC.

Hoje, apenas os tribunais da entidade podem dar o sinal verde para que governos implementem penalidades, depois de juízes determinarem se as práticas adotadas violam ou não regras internacionais.

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Pelo novo projeto americano, porém, a estrutura que centraliza na OMC julgamentos envolvendo o comércio internacional, criada em 1995, seria substituída por autoridades do próprio governo dos EUA, a quem caberia determinar as punições.

Segundo o jornal Financial Times, a administração Trump já teria pedido a especialistas que formulem uma lista de instrumentos que poderiam ser usados na aplicação dessas multas, sem passar pela OMC.

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Na prática, se os EUA considerarem que um produto brasileiro, por exemplo, afeta de forma injusta empresas dos EUA em seu mercado ou mesmo em terceiros mercados, poderia adotar sanções contra o País sem mediação da OMC.

A medida foi interpretada como um primeiro sinal concreto de que os americanos estariam abandonando a entidade e que poderiam adotar regras comerciais que, na avaliação de especialistas, violam as normas da OMC.

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A posição americana deixou diplomatas e negociadores preocupados ontem em Genebra. Durante a campanha presidencial, Trump chegou a dizer que a OMC "é um desastre", com membros de sua equipe alertando que a entidade "não funciona".

Representantes de alguns governos disseram ao Estado que, desde a eleição de Trump, vêm tentando conseguir dos EUA garantias de que os americanos estão "comprometidos" com a OMC. Mas a resposta tem sido "evasiva".

Reeleição. O debate sobre a situação americana acabou sendo o centro da discussão sobre a reeleição de Azevedo. O brasileiro é candidato único para mais um mandato e o processo, que estava marcado para ocorrer entre fevereiro e maio, foi antecipado. Nesta segunda-feira, o diretor-geral da OMC foi alvo de questionamentos, por parte de alguns governos, com a sobrevivência do sistema no centro do debate.

O governo chinês, numa clara alusão aos EUA, questionou Azevêdo sobre o que pretendia fazer para se "contrapor ao aumento do protecionismo". Em resposta, o brasileiro indicou que esse deve ser um "esforço comum" e pediu que delegações se manifestem contra barreiras.

O governo americano foi o próximo a falar, argumentando que medidas de defesa comercial não são atos protecionistas. Washington pediu para que Azevêdo fosse mais direto. O diretor-geral da OMC admitiu que todos os governos têm esse direito. Mas apontou que é sua aplicação que deve ser avaliada.

Ao tomar a palavra diante dos mais de 160 países para pedir o apoio de todos, Azevêdo foi contundente em reconhecer que a globalização está sendo questionada. "Precisamos pensar sobre como garantir que os benefícios do comércio cheguem a mais pessoas", defendeu.

Pela Europa, EUA e diversos países, partidos políticos têm usado a globalização comercial como alvo de suas campanhas, prometendo rever acordos e mesmo abandonar algumas iniciativas. Azevêdo, sem citar Donald Trump, deixou claro que as ameaças existem.

— O crescimento da economia global é baixo. O crescimento do comércio é baixo. As ameaças do protecionismo não podem ser ignoradas. O multilateralismo enfrenta resistências e ainda lutamos contra os desafios persistentes da pobreza. Muitos se sentem excluídos dos benefícios do comércio.

No entanto, Azevêdo alertou que não concorda com a análise de que o desemprego estrutural está ligado ao fluxo de comércio.

Azevêdo quer, nos próximos quatro anos, trabalhar para que o comércio seja "parte da solução" e não o responsável pelos problemas sociais.

— Não há dúvidas de que vivemos um momento desafiador para o sistema multilateral do comércio.

Mas, segundo Azevêdo, são nesses momentos que as regras internacionais ganham importância.

— O valor dos acordos globais é evidente.

Segundo ele, as estruturas existentes hoje foram erguidas como "resposta direta às lições sangrentas da história", numa referência à 2.ª Guerra Mundial.

— Elas representam o melhor esforço do mundo para garantir que os erros do passado não sejam repetidos.

Diante desse cenário, segundo Azevêdo, a OMC "é mais importante do que nunca".

— Precisamos trabalhar para defender o sistema. Temos o papel de salvaguardar esse elemento-chave da governança global.

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