Burocracia trava inovação: 42% das indústrias nem tentam apoio público
Pesquisa da CNI divulgada no Congresso de Inovação em SP mostra avanço e barreiras no acesso a incentivos
Economia|Do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela um cenário de avanço na inovação, mas com forte resistência no acesso a incentivos públicos. Dados indicam que 42% dos empresários nem tentaram usar instrumentos de apoio.
O levantamento será apresentado nesta quarta-feira (25), durante o 11º Congresso de Inovação da Indústria, em São Paulo, evento que reúne cerca de 2.000 participantes entre empresários, governo e academia.
Apesar das dificuldades, 61% das indústrias adotaram alguma forma de inovação nos últimos três anos. Outros 11% chegaram a planejar iniciativas, mas não conseguiram colocá-las em prática, enquanto 28% não realizaram mudanças.
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O foco principal está na melhoria interna. Entre as empresas inovadoras, 69% priorizaram processos produtivos, enquanto 53% investiram em produtos.
Os resultados aparecem principalmente na produtividade. Segundo o estudo, 38% das empresas registraram aumento nesse indicador. Também houve acesso a novos mercados (21%) e redução de custos (19%).
Burocracia lidera entraves
Entre quem buscou apoio público, o principal obstáculo aparece na burocracia, citada por 36% dos empresários. Outros problemas incluem risco de penalidades futuras (5%), dificuldade de entender regras (5%) e demora na análise (5%).
A pesquisa também mostra diferenças regionais. No Nordeste, 48% apontam burocracia como maior barreira. No Sudeste, o índice cai para 32%.
Além disso, 46% das empresas defendem menos exigências documentais como principal medida para melhorar o acesso aos recursos.
Outras sugestões incluem criação de cadastro nacional de empresas inovadoras (29%), rede de consultores para pequenos negócios (29%) e uso de inteligência artificial na análise de projetos (26%).
Setor pede mudanças
Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Jefferson Gomes, o ambiente atual dificulta o avanço.
“O excesso de exigências documentais e a lentidão nas análises, que podem levar mais de um ano, são totalmente incompatíveis com a velocidade da tecnologia. Essa complexidade dos editais e o risco constante de punições caso o projeto precise mudar de rota afastam a indústria do desenvolvimento e a obrigam a recorrer ao autofinanciamento”, destaca.
O tema ganha espaço no Congresso de Inovação, realizado no WTC, em São Paulo. A programação inclui debates sobre competitividade, uso de tecnologia digital e integração com práticas sustentáveis.
O evento também reúne propostas construídas ao longo da Jornada Nacional da Inovação, iniciativa que percorreu o país entre 2025 e 2026 para ouvir empresários e mapear desafios do setor.
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